

Produtores de mel natural e outros setores exportadores do Nordeste podem ser impactados pela sobretaxa dos Estados Unidos a produtos brasileiros | Foto: Fernando Cavalcante
10 de agosto de 2026 – A sobretaxa de até 37,5% imposta pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros pode atingir parte significativa das exportações do Nordeste para o mercado americano.
Segundo cálculo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisa do Banco do Nordeste (BNB), as medidas devem impactar oito dos 15 principais itens exportados pela região aos Estados Unidos.
Somente no primeiro semestre de 2026, esses produtos responderam por mais de US$ 450 milhões em vendas nordestinas para o mercado americano, o equivalente a 36% do total exportado pela região aos EUA.
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Os Estados Unidos anunciaram novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho.
As medidas preveem a aplicação de uma tarifa de 25% sobre determinados itens exportados pelo Brasil.
Além disso, foi estabelecida uma cobrança adicional de 12,5% para alguns produtos, com base em critérios relacionados às políticas norte-americanas de combate ao trabalho forçado.
Somadas, as tarifas podem alcançar 37,5%, dependendo da classificação do produto.
Segundo o economista-chefe do BNB, Rogério Sobreira, a indústria deve ser o setor mais afetado pelas medidas americanas.
“As empresas desse setor no Nordeste enfrentarão maiores desafios já que importantes produtos como os semimanufaturados de ferro e aço estão sendo taxados”, afirma Rogério Sobreira.
A avaliação indica preocupação com a competitividade de produtos industriais nordestinos em um mercado estratégico para a região.
O agronegócio nordestino também deve sentir os efeitos diretos da sobretaxa.
Entre os produtos impactados estão celulose solúvel, açúcar e álcool, mel natural, determinados tipos de pescados, calçados de couro e cordéis de sisal.
Produtores de mel natural, por exemplo, podem ser prejudicados pela perda de competitividade no mercado americano.
Apesar da incidência das novas tarifas sobre diversos itens, alguns produtos nordestinos ficaram isentos.
Entre eles estão celulose convencional, manteiga e óleo de cacau, manga, castanha de caju, água de coco, cacau em pó, café em grão e partes de frutas.
A lista de isenções reduz parte do impacto, mas não elimina a preocupação de setores exportadores da região.
Para Rogério Sobreira, a principal estratégia diante do novo cenário é diversificar os mercados de destino das exportações nordestinas.
“Precisamos lembrar que os americanos não são os únicos consumidores dos nossos produtos. Os Estados Unidos responderam por cerca de 12% de todas as exportações nordestinas em 2025. Outra medida é acessar crédito mais adequado para enfrentar as dificuldades. O próprio Banco do Nordeste é uma fonte de financiamento com condições muito favoráveis para as exportações, por utilizar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE”, explica.
A recomendação inclui tanto a busca por novos compradores internacionais quanto o uso de instrumentos financeiros para reduzir os efeitos da perda de competitividade.
No Brasil, a sobretaxa atinge 639 produtos brasileiros.
Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com base no comércio bilateral de 2024, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos alcançam 23,1% das exportações brasileiras.
Quando considerada também a sobretaxa aplicada ao aço e ao alumínio, anunciada em junho do ano passado pelo governo norte-americano, esse percentual pode chegar a 47,3%.
O aumento das tarifas representa um desafio para empresas que dependem do mercado americano.
Com custos maiores para entrada nos Estados Unidos, produtos brasileiros podem perder competitividade em relação a concorrentes de outros países.
No Nordeste, o impacto preocupa setores industriais, agroindustriais e produtores ligados a cadeias tradicionais da economia regional.
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