

Desgastes nas articulações podem surgir antes dos 40 anos, mesmo sem dor, e reforçam a importância da prevenção desde a juventude | Foto: divulgação
10 de agosto de 2026 – A ideia de que problemas nas articulações são exclusivos do envelhecimento vem sendo desafiada por novas pesquisas. Um estudo da Universidade de Oulu, na Finlândia, publicado na revista científica Osteoarthritis and Cartilage, identificou alterações estruturais no joelho em cerca de dois terços de adultos com idade média de 33 anos, mesmo entre pessoas sem dor.
Os achados reforçam que o processo de desgaste articular pode começar muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
Para especialistas, a prevenção desde a juventude é decisiva para preservar mobilidade, qualidade de vida e saúde das articulações ao longo dos anos.
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Para o ortopedista especialista em cirurgia do joelho Jonatas Brito, embora o estudo tenha avaliado especificamente essa articulação, o alerta vale para outras áreas do corpo submetidas à sobrecarga.
“O joelho costuma ser a articulação que mais chama atenção porque suporta grande parte do peso do corpo, mas esse processo também pode ocorrer em quadris, tornozelos, ombros e outras articulações. O mais importante é entender que a saúde articular começa a ser construída ainda na juventude”, afirma Jonatas Brito.
Segundo o especialista, um dos principais desafios é que muitas alterações evoluem de forma silenciosa.
“É comum associarmos dor ao início do problema. Na prática, muitas lesões e alterações começam anos antes dos sintomas. Quando a dor aparece, parte do dano pode já estar instalada”, explica o ortopedista.
Entre os fatores associados ao maior risco de alterações articulares estão excesso de peso, sedentarismo, lesões esportivas mal tratadas, predisposição genética e excesso de carga em atividades físicas realizadas sem orientação adequada.
O médico destaca que o problema não está na prática de exercícios, mas na forma como a atividade é conduzida.
“A atividade física é uma das maiores aliadas das articulações. O risco aumenta quando há excesso de treino, progressão inadequada da carga, falta de fortalecimento muscular ou quando a pessoa ignora uma lesão e continua praticando esporte sem o tratamento correto”, alerta Jonatas Brito.
A recomendação é que a prática esportiva seja acompanhada de fortalecimento, progressão adequada de intensidade e atenção a sinais persistentes de dor ou desconforto.
Outro ponto de atenção é a falsa percepção de que pessoas jovens sempre se recuperam completamente de lesões.
De acordo com o especialista, problemas como lesões de menisco ou ligamentares precisam de acompanhamento adequado para reduzir o risco de desgaste precoce.
“Uma lesão de menisco ou ligamentar mal conduzida pode aumentar o risco de desgaste precoce da articulação. Por isso defendemos que o menisco seja preservado sempre que possível e que toda lesão ortopédica seja acompanhada por um programa adequado de fisioterapia”, destaca.
Embora o envelhecimento seja um fator natural para o desenvolvimento da artrose, Jonatas Brito ressalta que boa parte dos fatores de risco pode ser modificada.
“Manter o peso adequado, fortalecer a musculatura e tratar corretamente as lesões são atitudes que ajudam a preservar as articulações ao longo da vida. Além disso, é importante procurar avaliação especializada quando a dor persiste após a atividade física, há inchaços frequentes, sensação de instabilidade, limitação dos movimentos ou estalos acompanhados de dor. Esses sinais não devem ser ignorados, especialmente em pessoas jovens. Envelhecer não significa, necessariamente, conviver com dor”, afirma o ortopedista.
Dor persistente após exercícios, inchaços frequentes, sensação de instabilidade, limitação de movimentos e estalos acompanhados de dor são sinais que merecem atenção.
Nesses casos, a avaliação especializada pode ajudar a identificar alterações precoces e orientar o tratamento adequado.
A prevenção envolve controle do peso, fortalecimento muscular, prática regular de atividade física com orientação, tratamento correto de lesões e acompanhamento médico quando necessário.
Jonatas Brito é professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unichristus.
Especialista em Cirurgia do Joelho, possui doutorado em Cirurgia pela UFC, com estágios internacionais, inclusive na Alemanha.
É criador de uma técnica reconhecida internacionalmente para recuperação do menisco e prevenção da artrose no joelho.
Também é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ).
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