

Especialistas alertam que homens ainda procuram o dermatologista tardiamente, aumentando os riscos de diagnóstico avançado do câncer de pele. | Foto: Pexels
04 de agosto de 2026 – A resistência dos homens brasileiros em buscar atendimento dermatológico ainda preocupa especialistas e pode comprometer o diagnóstico precoce de doenças graves, como o câncer de pele. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que apenas 15% dos homens mantêm uma rotina de cuidados sistemáticos com a pele, enquanto entre as mulheres esse percentual chega a 24%. Além disso, eles representam menos de 40% das consultas dermatológicas realizadas no país.
O cenário faz com que muitos pacientes procurem atendimento apenas quando os sintomas já estão em estágio avançado, reduzindo as chances de tratamentos menos invasivos e aumentando o risco de complicações.
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Levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia em parceria com o Datafolha e a L’Oréal Brasil, em 2025, revela que 90 milhões de brasileiros com mais de 16 anos — o equivalente a 54% dessa população — nunca passaram por uma consulta com um dermatologista. Entre os homens, a adesão à prevenção é ainda menor.
Para o dermatologista Márcio Sousa, fatores culturais ainda influenciam diretamente esse comportamento.
“Ainda vejo homens que só chegam ao consultório levados pela esposa, pela mãe ou pela filha, depois de meses convivendo com uma mancha que mudou de cor ou uma ferida que não cicatriza. O medo de parecer vaidoso, ou simplesmente a ideia de que ‘isso vai passar sozinho’, custa tempo precioso, e no caso do câncer de pele, tempo é o fator que mais pesa no prognóstico”, afirma Márcio Sousa.
Segundo o especialista, muitos homens exercem atividades profissionais com alta exposição ao sol, como na construção civil, agricultura e transporte, além de acumularem histórico de queimaduras solares ao longo da vida. Esses fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver melanoma e outros tipos de câncer de pele.
Apesar disso, a procura por consultas preventivas permanece abaixo do ideal.
“Não é sobre estética, é sobre saúde. Uma consulta anual ao dermatologista, com avaliação de pintas e manchas, é tão importante quanto os exames de rotina do cardiologista ou do urologista. Detectar um problema de pele cedo pode significar a diferença entre um tratamento simples e uma cirurgia complexa”, reforça Márcio Sousa.
Especialistas recomendam que homens e mulheres realizem acompanhamento dermatológico periódico, especialmente aqueles que possuem histórico familiar de câncer de pele, grande exposição ao sol ou alterações em pintas, manchas e feridas que demoram a cicatrizar.
Além das consultas regulares, o uso diário de protetor solar, roupas com proteção UV e a redução da exposição ao sol nos horários de maior intensidade são medidas fundamentais para prevenir doenças dermatológicas.
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