
O estudante cearense Raul Victor Magalhães Souza foi premiado por desenvolver uma ferramenta que une inteligência artificial e saberes tradicionais para apoiar agricultores familiares. | Foto: divulgação
27 de julho de 2026 – O estudante cearense Raul Victor Magalhães Souza, de apenas 16 anos, foi laureado com o Prêmio Fundação Bunge 2026, uma das mais tradicionais premiações científicas do Brasil, ao desenvolver uma ferramenta que alia inteligência artificial aos saberes tradicionais dos “profetas da chuva” para apoiar agricultores familiares na previsão pluviométrica.
Aluno de uma escola pública de tempo integral em Iracema, no Vale do Jaguaribe, a mais de 200 quilômetros de Fortaleza, Raul tornou-se o segundo premiado com menos de 18 anos na história da premiação. O reconhecimento veio na categoria Juventude, no tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”.
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O projeto foi desenvolvido para auxiliar produtores rurais de regiões marcadas pela irregularidade das chuvas e pelos impactos das mudanças climáticas.
Segundo o estudante, a ideia nasceu da convivência com o avô, agricultor, que lhe apresentava os conhecimentos dos chamados “profetas da chuva”, pessoas que observam sinais da natureza para prever o comportamento das precipitações.
“Meu avô, que é agricultor, sempre me falava sobre os ‘profetas da chuva’. Quando recebi uma bolsa de iniciação científica, pensei que poderia unir esse conhecimento cultural à inteligência artificial para ampliar sua aplicação”, afirma Raul.
A pesquisa cruzou registros meteorológicos históricos com observações realizadas por profetas da chuva do Vale do Jaguaribe, resultando em um sistema capaz de alcançar 94,5% de precisão nas previsões pluviométricas.
“Aqui existe uma grande irregularidade pluviométrica, e esse cenário tende a se aprofundar por causa das mudanças climáticas. Quero que essa ferramenta contribua para reduzir perdas e apoiar quem vive da agricultura”, destaca o jovem pesquisador.
Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (PIBIC-EM), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), Raul desenvolveu a pesquisa sob orientação da professora Roberta Jeane Bezerra Jorge, da Faculdade de Medicina da UFC, e do doutorando Helyson Lucas Bezerra Braz, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfofuncionais da universidade.
O estudante conta que seu interesse pela pesquisa surgiu ainda no Ensino Fundamental.
“No Ensino Fundamental, eu já falava que queria desenvolver projetos científicos. Quando entrei no Ensino Médio, tive a oportunidade de participar de programas de iniciação científica e foi aí que a minha paixão pela ciência realmente cresceu”, relata.
Antes do Prêmio Fundação Bunge, o trabalho já havia recebido outros importantes reconhecimentos.
A pesquisa conquistou o primeiro lugar nacional na categoria Ensino Médio da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista, promovido pelo CNPq, e também classificou Raul entre os finalistas do Stockholm Junior Water Prize Brasil, cuja etapa nacional ocorrerá em setembro.
Para o estudante, o prêmio representa também o reconhecimento da importância da educação pública e do incentivo à pesquisa.
“Meu avô ainda é vivo e fica muito orgulhoso quando vê esse reconhecimento. Para mim, é uma felicidade enorme poder mostrar que um conhecimento que faz parte da nossa cultura pode dialogar com a tecnologia e gerar benefícios para a sociedade.”
Ele também destaca o papel da iniciação científica em sua trajetória.
“Sem a bolsa, eu não teria a maturidade científica que tenho hoje. Muitos jovens têm vontade de fazer pesquisa, mas têm receio. Eu sempre incentivo que encontrem algo de que realmente gostem. A ciência abre portas, cria conexões e faz a gente perceber que pode chegar muito mais longe do que imaginava”, finaliza.
Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge reconhece pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.
Na edição de 2026, a premiação homenageia pesquisadores que atuam em temas ligados à agricultura tropical sustentável e à inovação para a agricultura familiar, valorizando iniciativas capazes de gerar impactos sociais e econômicos para o país.
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