

Especialista alerta que longas jornadas ao volante ou sobre motocicletas podem provocar sobrecarga e lesões nos joelhos de motoristas e entregadores. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
27 de julho de 2026 – No Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado nesta segunda-feira (27), especialistas reforçam que a prevenção vai além de evitar colisões e quedas. Motoristas de aplicativo e entregadores também precisam estar atentos aos impactos que a rotina intensa pode causar à saúde, especialmente aos joelhos.
Segundo o cirurgião ortopédico especialista em cirurgia do joelho Jonatas Brito, permanecer por longos períodos na mesma posição, realizar movimentos repetitivos e trabalhar sem pausas adequadas favorecem o surgimento de dores, inflamações e lesões que podem comprometer a qualidade de vida e a capacidade de trabalho.
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De acordo com o especialista, mesmo quando aparentam estar parados, motoristas utilizam constantemente os joelhos durante a condução do veículo.
“Muita gente não percebe, mas motoristas de aplicativo e entregadores usam muito o joelho, mesmo quando parecem estar parados. O motorista passa horas sentado com o joelho dobrado, acelerando, freando, entrando e saindo do carro. No fim do dia, é comum sentir o joelho duro, pesado ou dolorido, principalmente ao levantar, subir escadas ou caminhar depois de muito tempo dirigindo”, explica Jonatas Brito.
No caso dos entregadores, o esforço costuma ser ainda maior. Além das horas sobre motocicletas ou bicicletas, esses profissionais enfrentam escadas, rampas, apoio constante dos pés no chão e mochilas pesadas, muitas vezes sem intervalos suficientes para recuperação muscular.
O ortopedista alerta que sintomas persistentes não devem ser encarados como consequência natural da profissão.
“O problema é que muita gente vai empurrando a dor, acha que é só cansaço, que faz parte do trabalho. Mas nem toda dor deve ser considerada normal. Se o joelho dói toda semana, incha, trava, dá sensação de falhar, faz a pessoa mancar ou exige o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios para conseguir trabalhar, isso já merece uma avaliação médica”, destaca.
Segundo o médico, ignorar esses sinais pode permitir que pequenas lesões evoluam para problemas mais graves.
Entre as orientações para reduzir a sobrecarga nas articulações estão realizar pequenas caminhadas durante os intervalos entre corridas ou entregas, movimentar as pernas regularmente e ajustar corretamente o banco do veículo.
“O ideal é que o banco fique em uma posição confortável, sem que a perna permaneça excessivamente esticada ou o joelho muito dobrado. Uma postura adequada reduz o esforço repetitivo durante a direção”, orienta o especialista.
Para entregadores, a regulagem correta da mochila também merece atenção.
“Uma mochila muito pesada ou mal ajustada altera a postura e aumenta a sobrecarga não apenas nos joelhos, mas em todo o corpo”, ressalta Jonatas Brito.
Além dos cuidados ergonômicos, o fortalecimento da musculatura é apontado como uma das principais formas de prevenção.
“Joelho não melhora apenas com repouso. Em muitos casos, é preciso fortalecer a musculatura da coxa, dos glúteos e da panturrilha. Estes músculos ajudam a distribuir melhor a carga e aumentam a capacidade do joelho de suportar a rotina de trabalho”, explica.
O médico também alerta para o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios sem investigação da causa da dor.
“Esses medicamentos podem aliviar os sintomas temporariamente, mas não tratam a causa do problema. Quando a dor persiste, ela precisa ser investigada para evitar que uma lesão evolua e comprometa ainda mais a qualidade de vida e a capacidade de trabalho”, afirma.
Ao marcar o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho, o especialista reforça que cuidar da saúde faz parte da prevenção.
“Prevenção também é cuidar do corpo antes que ele obrigue você a parar. Quem trabalha dirigindo, pilotando ou fazendo entregas precisa aprender a escutar os sinais do próprio corpo. Dor persistente não é frescura. É um sinal de que alguma coisa precisa ser avaliada”, conclui.
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