

Estudo aponta que a vacinação contra o HPV reduziu quase pela metade a circulação dos principais tipos do vírus entre jovens brasileiros. | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
24 de julho de 2026 – A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu quase pela metade a prevalência dos principais tipos do vírus entre jovens brasileiros, segundo o maior estudo sobre a eficácia do imunizante realizado na América Latina. A pesquisa Pop-Brasil, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, também identificou sinais de proteção indireta entre pessoas não vacinadas, conhecido como efeito rebanho.
Os dados mostram que, entre 2016 e 2017, 14,98% dos participantes apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina. Já entre 2020 e 2023, esse índice caiu para 7,95%.
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Na primeira etapa do estudo foram avaliadas amostras de 6.388 participantes não vacinados, de ambos os sexos. Na segunda fase, entre 2020 e 2023, foram analisadas mais de 10 mil pessoas, incluindo vacinados e não vacinados, com amostras coletadas em unidades de saúde.
O foco da pesquisa foi a população de 16 a 25 anos, faixa etária considerada de maior exposição ao vírus.
“Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado”, explicou a médica epidemiologista e líder da pesquisa, Eliana Wendland.
Apesar da recomendação, a cobertura vacinal ficou abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Entre meninas e mulheres participantes, 61,8% estavam vacinadas. Entre os homens, o índice foi de apenas 31,1%, enquanto a cobertura ideal é de 90%.
Os resultados reforçam a efetividade da imunização. Entre meninas e mulheres, a prevalência dos quatro tipos de HPV protegidos pela vacina caiu de 15,6%, na primeira fase do estudo, para apenas 3,1% entre as vacinadas na segunda etapa.
Além da proteção individual, os pesquisadores observaram um impacto coletivo da vacinação.
“Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV”, destacou Eliana Wendland.
Entre as mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro subtipos cobertos pelo imunizante caiu para 10,5%, indicando redução da circulação do vírus na população.
Entre os participantes do sexo masculino vacinados, a prevalência dos principais tipos de HPV caiu de 13,8% para 4,6%. Entretanto, entre os homens não vacinados, a pesquisa não identificou redução estatisticamente significativa.
Segundo os pesquisadores, a baixa cobertura vacinal entre os meninos explica esse resultado.
“Esse achado não é inesperado, uma vez que os meninos costumam receber menos incentivo à vacinação contra o HPV do que as meninas, em parte porque o vírus ainda é amplamente percebido como uma causa predominantemente do câncer do colo do útero”, destaca a prévia do artigo que será publicado na revista científica npj Vaccines.
Outro resultado importante foi a confirmação da eficácia do esquema atual adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), baseado em apenas uma dose da vacina.
Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas na prevalência do vírus entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses do imunizante.
Enquanto a prevalência geral de todos os tipos de HPV aumentou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases da pesquisa, os quatro subtipos contemplados pela vacina apresentaram queda significativa, reforçando a efetividade da imunização.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014 para meninas e ampliada aos meninos em 2017. Desde 2024, o esquema básico passou a ser de dose única.
Atualmente, a vacina é destinada a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos adultos considerados vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários da profilaxia pré-exposição (PrEP) e pacientes que já apresentaram lesões precursoras do câncer do colo do útero.
O HPV é o principal responsável pelo câncer do colo do útero e também está associado ao desenvolvimento de tumores no pênis, ânus e garganta. A vacina disponível na rede pública protege contra os quatro principais subtipos com potencial de causar câncer.
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