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Economia: Brasil reage a nova tarifa dos EUA Governo brasileiro rechaça sobretaxa de 12,5% sobre produtos nacionais e anuncia trâmites para acionar Lei de Reciprocidade

Economia: Brasil reage a nova tarifa dos EUA

Governo brasileiro rechaça nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos nacionais e anuncia medidas com base na Lei de Reciprocidade | Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

23 de julho de 2026 – O governo brasileiro rechaçou a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil, sob o argumento de falhas na proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A medida foi anunciada pelo governo americano nesta quinta-feira (23) e deve entrar em vigor nesta sexta-feira (24). As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e atingem cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

Em resposta, o governo brasileiro afirmou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

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Governo vê medida arbitrária

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo classificou a tarifa como arbitrária e injustificada.

“Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, informou o governo brasileiro.

A Lei de Reciprocidade permite que o Brasil adote medidas equivalentes contra países que imponham sanções, restrições ou barreiras consideradas injustas.

Na prática, o mecanismo pode ser utilizado para reequilibrar relações comerciais e proteger setores da economia nacional diante de medidas unilaterais adotadas por outros governos.

Trabalho forçado virou argumento

A nova tarifa foi anunciada com base em investigação conduzida pelos Estados Unidos a partir da Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Segundo o governo americano, o processo concluiu que os países atingidos adotariam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O argumento é semelhante ao utilizado pelos Estados Unidos para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na quarta-feira (22).

Com a nova medida, parte dos produtos brasileiros pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

Brasil fala em manipulação

Na nota, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos manipularam um tema sensível aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores para justificar uma política comercial protecionista.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, afirmou o governo.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) é o órgão responsável pela formulação da política comercial americana.

Segundo fontes da diplomacia brasileira, a percepção do governo é que não houve intenção real, por parte dos americanos, de compreender as políticas brasileiras de fiscalização e combate ao trabalho forçado.

Brasil cita atuação reconhecida

O governo brasileiro também destacou que, ao longo da investigação nos Estados Unidos, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e apresentou documentação sobre a legislação nacional e a atuação das autoridades aduaneiras.

O objetivo, segundo a nota, foi demonstrar as medidas adotadas pelo Brasil para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado.

“Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de ‘Lista Suja’ de empregadores”, diz a nota.

O governo também afirmou que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por seus compromissos no combate ao trabalho forçado.

Convenções da OIT são citadas

Na manifestação, o governo brasileiro comparou os compromissos assumidos por Brasil e Estados Unidos no âmbito da Organização Internacional do Trabalho.

Segundo a nota, o Brasil é signatário de 66 convenções em vigor na OIT, enquanto os Estados Unidos ratificaram apenas 10.

O texto também informa que o Brasil ratificou os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado: a Convenção 29, de 1930; a Convenção 105, de 1957; a Recomendação 203; e o Protocolo à Convenção 29, ambos de 2014.

De acordo com o governo brasileiro, os Estados Unidos ratificaram apenas um desses instrumentos.

Mercosul também é mencionado

O governo brasileiro afirmou ainda que acordos de livre comércio firmados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo negociações com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório.

A nota sustenta que o combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é reforçado por políticas internas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo.

Para o governo brasileiro, esses elementos demonstram que a acusação americana não encontra respaldo na atuação do Brasil sobre o tema.

Tarifa já era esperada

Após os Estados Unidos anunciarem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros na semana passada, o governo federal já trabalhava com a possibilidade de nova sobretaxa de 12,5%.

A principal dúvida era se a nova tarifa seria cumulativa à alíquota anterior.

Com a medida anunciada nesta quinta-feira, parte dos produtos brasileiros poderá enfrentar uma carga tarifária combinada de até 37,5%, ampliando a preocupação de exportadores e setores produtivos.

Disputa pode chegar à OMC

O governo brasileiro informou que levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

A decisão indica que o Brasil pretende contestar formalmente a medida no sistema multilateral de comércio, além de avaliar respostas previstas na Lei de Reciprocidade.

O movimento ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre os dois países, após a adoção de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

A estratégia brasileira combina contestação diplomática, instrumentos jurídicos internacionais e mecanismos internos de defesa comercial.

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Tags: Brasil, Estados Unidos, tarifa dos EUA, tarifaço, tarifa de 12,5%, tarifa de 25%, Lei de Reciprocidade, OMC, Organização Mundial do Comércio, USTR, Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, trabalho forçado, trabalho escravo contemporâneo, Ministério do Trabalho e Emprego, OIT, Organização Internacional do Trabalho, direitos humanos, comércio exterior, exportações brasileiras, política comercial, protecionismo, Mercosul, União Europeia, Chile, Associação Europeia de Livre Comércio, diplomacia brasileira, Lula, Donald Trump, economia brasileira, Portal Terra Da Luz

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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