

Farmanguinhos concluiu a transferência de tecnologia para produzir no Brasil o dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV pelo SUS. | Foto: Agência de Notícias da Aids/ Divulgação
16 de julho de 2026 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o processo de transferência de tecnologia para produzir no Brasil o dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, o início do fornecimento do antirretroviral depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV utilizam o medicamento no país. A nacionalização da produção representa um avanço para o fortalecimento da autonomia do Brasil na fabricação de medicamentos estratégicos para a saúde pública.
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O processo de transferência de tecnologia teve início em 2020, quando a biofarmacêutica GSK, por meio da ViiV Healthcare, firmou um acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz, para transferir gradualmente a produção do medicamento ao Brasil.
Desde então, Farmanguinhos realizou investimentos na modernização da planta industrial, aquisição de equipamentos, qualificação de profissionais e adequações técnicas, regulatórias e operacionais necessárias para fabricar o medicamento em território nacional.
Com essa etapa concluída, três lotes do dolutegravir já foram produzidos e validados pelo instituto. Os medicamentos poderão ser entregues ao SUS assim que a Anvisa conceder a autorização para comercialização.
Embora a fabricação nacional ainda dependa da aprovação regulatória, Farmanguinhos já atua na distribuição do medicamento desde 2022. Nesse período, mais de 739 milhões de cápsulas produzidas nas fábricas da GSK foram fornecidas ao Sistema Único de Saúde.
Em 2025, o instituto também passou a ser responsável pelas análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento, ampliando sua participação no processo de produção e distribuição.
Paralelamente, a Fiocruz segue trabalhando na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, etapa necessária para consolidar completamente a produção nacional.
O acordo de transferência de tecnologia também contempla a produção da combinação entre dolutegravir e lamivudina, outro tratamento amplamente utilizado por pacientes atendidos pelo SUS.
A expectativa é que essa etapa da fabricação seja iniciada por Farmanguinhos ao longo de 2027, ampliando ainda mais a capacidade nacional de produção de medicamentos para o enfrentamento do HIV.
O dolutegravir é considerado um dos principais antirretrovirais utilizados no tratamento do HIV em todo o mundo. O medicamento atua bloqueando a enzima integrase, impedindo que o vírus se multiplique nas células do sistema imunológico.
Além de reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, o tratamento contribui para o fortalecimento da imunidade, dificulta a progressão para a AIDS e apresenta poucos efeitos colaterais.
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o dolutegravir como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
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