

PEC que propõe o fim da escala 6x1 está parada no Senado e aguarda decisão sobre tramitação na Casa | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
28 de junho de 2026 – A proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1 completa neste domingo (28) um mês parada no Senado Federal, sem avanço formal na tramitação. Prioritária para o governo, a matéria aguarda despacho do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio. No dia seguinte, o texto chegou ao Senado, onde permanece sem encaminhamento para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Na quarta-feira (1º), a proposta será tema de uma sessão de debate temático no plenário do Senado. Será a primeira discussão formal da PEC desde que o texto foi enviado à Casa.
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No mesmo dia do debate, o presidente do Senado deve se reunir com parlamentares autores de propostas relacionadas ao fim da escala 6×1.
Devem participar do encontro a deputada Erika Hilton (PSOL) e o deputado Reginaldo Lopes (PT). Representantes das centrais sindicais e a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também confirmaram presença.
A aprovação da proposta no Senado é considerada uma das principais missões de Teresa Leitão, que assumiu a liderança do governo na Casa no lugar do senador Jaques Wagner (PT-BA).
Apesar da pressa do Executivo, Alcolumbre já indicou que não pretende votar a PEC diretamente no plenário.
O presidente do Senado também sinalizou que a Casa deve sugerir mudanças no texto aprovado pelos deputados. Segundo ele, o Senado não será apenas “carimbadora” da versão enviada pela Câmara.
Caso haja alteração no mérito da proposta, a PEC precisará retornar para nova análise dos deputados, o que pode atrasar a aprovação final.
Outro ponto ainda indefinido é a escolha do relator da proposta no Senado.
Um dos nomes defendidos por aliados de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), negou intenção de assumir a relatoria.
A falta de definição sobre quem conduzirá o texto na Casa aumenta a incerteza sobre o ritmo da tramitação.
A demora no andamento da PEC ocorre em meio a um momento de tensão entre Alcolumbre e o governo federal.
A relação ficou mais delicada após a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além da proposta sobre a escala 6×1, outras pautas consideradas prioritárias pelo Executivo também seguem sem avanço no Senado.
Entre elas estão a PEC da Segurança Pública, o projeto sobre exploração de minerais críticos no país e a proposta que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, chamado de Redata.
A PEC do fim da escala 6×1 é vista como uma das principais prioridades do governo no Congresso.
O tema também é considerado um ativo político importante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à preparação para a disputa eleitoral de 2026.
A proposta ganhou força no debate público ao tratar da redução da jornada de trabalho e da ampliação do período de descanso, sem redução salarial.
O texto aprovado pela Câmara reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso, sem diminuição dos salários.
A implementação ocorreria em um período total de 14 meses, dividida em duas etapas de redução de duas horas.
A primeira redução passaria a valer após 60 dias da promulgação da emenda constitucional. A segunda ocorreria 12 meses depois.
Representantes do setor produtivo são contrários à alteração e têm buscado diálogo com Alcolumbre para negociar mudanças.
Empresários afirmam temer impactos econômicos, especialmente com possível aumento dos custos de produção. Por isso, defendem algum tipo de compensação financeira para viabilizar a redução da jornada.
Já a equipe econômica do governo argumenta que a mudança não deve provocar impacto negativo e pode gerar ganhos de produtividade, a partir da melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
O tema deve seguir no centro das discussões entre governo, Congresso, empresas, sindicatos e trabalhadores nos próximos meses.
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