

Governo federal pretende tornar automática a declaração do Imposto de Renda, reduzindo a necessidade de preenchimento manual pelos contribuintes. | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
01 de junho de 2026 – Os contribuintes brasileiros poderão deixar de preencher manualmente a declaração do Imposto de Renda nos próximos anos. A expectativa foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o processo poderá se tornar totalmente automatizado em um prazo de dois a três anos.
A proposta faz parte de um conjunto de medidas voltadas à modernização dos serviços públicos e à ampliação do uso de sistemas digitais para simplificar a relação entre cidadãos e a Receita Federal.
Durante entrevista concedida nesta segunda-feira (1º) à Rádio CBN, o ministro defendeu a eliminação da necessidade de preenchimento manual das declarações.
“Não é possível que, com todo mundo já tendo declarado no dia a dia suas obrigações para a Receita, nós ainda vamos obrigar o contribuinte a parar, gastar tempo útil da sua vida – seja de trabalho, seja de descanso – para prestar informações que, muitas vezes, a gente já tem”, afirmou Dario Durigan.
“Então veja, no ano que vem eu quero aumentar essa desobrigação; esse alívio para as pessoas. Espero que em dois ou três anos todo mundo fique sem [a necessidade de fazer a] declaração de Imposto de Renda”, acrescentou o ministro.
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A iniciativa prevê a criação de um sistema capaz de reunir automaticamente informações financeiras dos contribuintes por meio da integração de diferentes bases de dados públicas e privadas.
Entre os dados que poderão ser incorporados ao sistema estão movimentações bancárias, rendimentos informados por empresas, investimentos, informações de planos de saúde e outros registros já disponíveis para os órgãos de fiscalização.
Com a mudança, o contribuinte deixaria de preencher formulários e passaria apenas a revisar e validar as informações apresentadas pela plataforma da Receita Federal.
A proposta representa uma ampliação do modelo de declaração pré-preenchida, que vem sendo aperfeiçoado nos últimos anos.
Atualmente, a ferramenta já reúne informações sobre rendimentos, bens, investimentos, aplicações financeiras e despesas dedutíveis. Mesmo assim, a Receita recomenda que os contribuintes verifiquem os dados antes do envio, uma vez que as informações são fornecidas por terceiros.
Segundo estimativas do Fisco, a declaração pré-preenchida deverá alcançar aproximadamente 60% dos contribuintes brasileiros.
“Como a gente tem um país informatizado, essas informações vão sendo colocadas no sistema, e a pessoa precisa validar simplesmente”, afirmou o ministro em março, ao comentar a proposta.
A expectativa do governo federal é ampliar gradualmente o volume de dados integrados ao sistema até que o envio manual da declaração deixe de ser necessário.
Caso a iniciativa seja implementada conforme o cronograma previsto, o Brasil passará a adotar um modelo semelhante ao utilizado em diversos países, nos quais a administração tributária já disponibiliza declarações praticamente prontas para validação pelos cidadãos.
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