

Presidente Lula defende soberania nacional após decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras | Foto: Ricardo Stuckert/PR
29 de maio de 2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil pretende combater internamente o crime organizado e não aceitará intervenções internacionais após o anúncio dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.
A declaração foi feita durante agenda em Sergipe, onde Lula participou de anúncios de investimentos da Petrobras e visitas a hospitais. Foi a primeira manifestação pública do presidente sobre a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos, comandado por Marco Rubio.
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Durante o discurso, Lula disse estar decepcionado com o anúncio norte-americano e defendeu a soberania brasileira diante da possibilidade de interferência externa.
“Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou o presidente.
Lula reconheceu que PCC e Comando Vermelho causam terror em comunidades brasileiras, mas defendeu que o enfrentamento às facções deve ser feito pelas instituições nacionais.
“Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a lei para combater o crime organizado, e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer, o Trump quer o Osama Bin Laden… e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, declarou.
O presidente também cobrou dos Estados Unidos cooperação no combate a brasileiros foragidos que estariam em território norte-americano. Lula citou casos como o do ex-deputado federal Alexandre Ramagem e do empresário Ricardo Magro, dono da Refit.
“Vamos começar entregando o Ramagem, que está escondido lá. Começar entregando o maior contrabandista de combustíveis do país, o Ricardo Magro, a PF e a Receita apreenderam R$ 250 milhões de combustível que eles estão contrabandeando e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disse.
Segundo Lula, parte das armas contrabandeadas que chegam ao Brasil tem origem nos Estados Unidos. O presidente também mencionou denúncias de lavagem de dinheiro envolvendo o estado norte-americano de Delaware.
Ao longo da fala, Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado de forma desrespeitosa por outros países. O presidente também relacionou a preocupação com a soberania nacional aos interesses internacionais sobre riquezas naturais brasileiras, como minerais críticos, terras raras, ouro, diamante e a Amazônia.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, destacou.
Em outro trecho, Lula reforçou que pretende manter relações diplomáticas respeitosas, mas sem abrir mão da autonomia do País.
“Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito e preciso ter respeito para respeitá-los. Então, não brinquem, não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia e não duvidem das coisas que nós fazemos aqui nesse país”, afirmou.
Antes do discurso de Lula, o Palácio do Planalto divulgou nota criticando a decisão dos Estados Unidos. O governo brasileiro afirmou que medidas unilaterais e não negociadas podem enfraquecer o combate ao crime, reduzir a cooperação entre polícias, colocar vidas em risco e gerar impactos econômicos.
Segundo o texto, ações externas também poderiam afetar o sistema financeiro brasileiro e inovações nacionais como o Pix. O Planalto classificou a soberania nacional como “inegociável” e afirmou que cabe ao Brasil, por meio de suas instituições, leis e forças de segurança, definir como o crime deve ser classificado e combatido internamente.
A nota também criticou integrantes da família Bolsonaro por viagens aos Estados Unidos em defesa de medidas consideradas pelo governo como interferência estrangeira no Brasil.
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