

Governo Trump formaliza acusações contra Raúl Castro e amplia pressão diplomática sobre Cuba em meio a novas tensões entre Washington e Havana | Foto: Reuters e CNN Newsource
20 de maio de 2026 – O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou acusações contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, em uma medida que amplia a pressão sobre o regime de Cuba e aumenta a tensão diplomática entre os dois países.
A ofensiva americana é interpretada como parte de uma estratégia para forçar Havana a aceitar um acordo de abertura econômica. Segundo fontes ouvidas pela CNN, a acusação também cria um pretexto jurídico para uma eventual operação de captura, embora não haja expectativa de ação militar imediata, especialmente diante do envolvimento da Casa Branca na guerra contra o Irã.
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As acusações criminais foram reveladas nesta quarta-feira (20) pelo governo Trump. Raúl Castro é acusado de conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronave e assassinato. A denúncia, apresentada em 23 de abril, inclui outros réus.
As medidas ocorrem em meio ao endurecimento da política externa americana em relação a Cuba. Para pessoas próximas à Casa Branca e ex-diplomatas, a ação busca aumentar o poder de negociação dos Estados Unidos diante do governo cubano.
“O governo não quer realmente prosseguir com a ação militar neste momento, mas obviamente está preparando o terreno para isso”, disse Ricardo Zúñiga, ex-funcionário sênior do Departamento de Estado durante o governo Biden.
“Isso potencialmente cria poder de barganha”, acrescentou Zúñiga.
Na terça-feira (19), Trump voltou a adotar tom duro ao falar sobre Cuba. “Cuba é uma nação falida […] E vamos resolver isso”, afirmou o presidente americano.
A acusação contra Raúl Castro está ligada ao episódio ocorrido em 24 de fevereiro de 1996, quando jatos cubanos abateram dois pequenos aviões pilotados por integrantes do grupo Irmãos ao Resgate. Quatro homens morreram, incluindo três cidadãos americanos. Uma terceira aeronave conseguiu escapar.
Cuba alegou que os aviões estavam em seu espaço aéreo. Já os Estados Unidos sustentaram que as aeronaves sobrevoavam águas internacionais. Posteriormente, a posição americana foi corroborada pela Organização da Aviação Civil Internacional, que concluiu que o ataque ocorreu sobre águas internacionais.
O grupo Irmãos ao Resgate tinha sede em Miami e foi fundado por cubano-americanos. A organização afirmava ter como missão localizar cubanos que fugiam da ilha em jangadas pelo Estreito da Flórida.
O atual presidente de Cuba classificou as acusações contra Raúl Castro como uma “manobra política” sem base legal. O regime cubano, historicamente, defende que a ação de 1996 foi uma medida de legítima defesa de seu espaço aéreo.
Após o episódio, Fidel Castro afirmou que havia dado ordens gerais para interromper os voos, mas negou ter ordenado especificamente o abate das aeronaves. Segundo ele, os militares teriam agido com base em “ordens permanentes”.
Na época, Raúl Castro supervisionava os serviços de segurança do país como ministro da Defesa. O governo cubano também alegou que o grupo Irmãos ao Resgate teria sobrevoado o espaço aéreo cubano e realizado ações consideradas provocativas.
Depois do abate dos aviões, o então presidente americano Bill Clinton determinou sanções contra Cuba, incluindo a suspensão de voos fretados e restrições à circulação de diplomatas cubanos. O governo Clinton também buscou apoio do Congresso para endurecer o embargo comercial contra a ilha.
Apesar das medidas adotadas naquele período, os irmãos Castro não foram acusados criminalmente pelo governo americano. Em 2003, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações contra três oficiais militares cubanos, mas eles nunca foram extraditados.
Agora, com a nova ofensiva do governo Trump, o caso volta ao centro da disputa entre Washington e Havana, em um momento de forte pressão econômica, política e diplomática sobre Cuba.
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