

Região da Volta Grande do Xingu enfrenta impactos ambientais após dez anos de operação de Belo Monte | Foto: reprodução
18 de maio de 2026 – Dez anos após o início das operações da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a região da Volta Grande do Xingu, no Pará, enfrenta profundas transformações ambientais e sociais. O desvio de água para alimentar as turbinas reduziu em 80% o fluxo natural do rio em um trecho de mais de 100 quilômetros, afetando comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem diretamente do Xingu para sobreviver.
O impacto inclui áreas secas, redução da reprodução de peixes e mudanças no ciclo natural das florestas de igapó, que antes eram inundadas periodicamente e serviam como espaço de alimentação para a fauna aquática. O assunto foi destaque neste domingo, no programa Fantástico, da Rede Globo.
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Um monitoramento independente feito por cientistas, ribeirinhos e indígenas identificou alterações graves no ecossistema. Das sete áreas de piracema acompanhadas, seis não registraram desova devido à falta de subida da água. Na única área com reprodução, a vazão recuou rapidamente, deixando milhares de ovas expostas ao sol.
Pescadores também relatam queda drástica na quantidade de peixes e anomalias físicas na fauna aquática. Exames científicos apontaram que, por causa da desnutrição e das mudanças no habitat, peixes estão nascendo deformados, menores e com vértebras arqueadas.
A crise também afeta o abastecimento de água. O ribeirinho Paulo Sérgio relata que os poços de sua propriedade secaram após a construção da usina.
“Quando eles fizeram a barragem, a água acabou. E aí eu tive que ir lá para o rio. Quando eu chego lá no rio, a água não presta pra nós beber. Nem pra nós banhar”, afirmou o pescador, que hoje depende de galões de água potável fornecidos emergencialmente pela concessionária Norte Energia.
Para moradores da região, a redução dos recursos ameaça a permanência das comunidades no território. “Futuramente, pode ser que os filhos da gente não possam viver no local que a gente sempre viveu por falta de peixe”, disse Josiel Juruna, integrante do grupo de monitoramento local.
O impasse atual envolve o hidrograma da usina, plano que define o volume de água que pode ser retirado do leito original do rio. A licença de operação de Belo Monte está vencida, e o Ibama cobra da Norte Energia um novo cronograma de vazão.
A procuradora da República Thaís Santi afirma que a hidrelétrica ainda precisa provar sua viabilidade ambiental. “Belo Monte ainda não fez prova da sua própria viabilidade”, declarou.
Além dos impactos da hidrelétrica, comunidades da Volta Grande do Xingu também enfrentam a possibilidade de instalação de um projeto de mineração de ouro da empresa canadense Belo Sun.
O projeto prevê uso de cianeto no processamento do minério e a construção de uma barragem de rejeitos três vezes maior que a de Brumadinho, a apenas 1,5 km do Rio Xingu. O Ministério Público Federal questiona o licenciamento na Justiça, alegando que o processo deveria ser conduzido pelo Ibama e que não houve consulta adequada aos povos indígenas e tradicionais.
A líder indígena Juma Xipaia critica os impactos do empreendimento. “Você não só tem somente um impacto na devastação desse território, mas também tem negação de direito das futuras gerações”, afirmou.
A Norte Energia informou que respondeu aos questionamentos do Ibama dentro do prazo e que cumpre a legislação vigente. A empresa afirma que dados coletados ao longo de 14 anos comprovam a sustentabilidade do sistema atual.
Já a Belo Sun declarou que segue todos os trâmites legais, passará por auditorias externas e adota normas internacionais para manejo seguro de cianeto.
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Tags: Xingu, Belo Monte, Volta Grande do Xingu, Amazônia, meio ambiente, Ibama, povos indígenas, comunidades ribeirinhas, mineração, Belo Sun, Norte Energia, crise hídrica, Rio Xingu, sustentabilidade, Portal Terra Da Luz