

Acordo entre Mercosul e União Europeia amplia comércio e impacta setores da economia brasileira. Foto|Reprodução
1 de maio de 2026 – O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começa a ser aplicado provisoriamente nesta sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A medida inaugura uma nova fase de abertura comercial e já impacta diretamente as exportações brasileiras.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, mais de 80% dos produtos exportados pelo Brasil ao mercado europeu passam a ter tarifa de importação zerada logo nesta fase inicial. Ao todo, mais de 5 mil itens entram no bloco sem cobrança de impostos, ampliando o acesso das empresas nacionais.
Apesar do protagonismo brasileiro no acordo — responsável por mais de 80% do comércio do Mercosul com a União Europeia — os efeitos não devem ser uniformes entre setores e regiões.
Estimativas do governo apontam impacto positivo entre 0,3% e 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com ganhos concentrados em áreas mais integradas ao comércio internacional.
“Ele beneficia quem já é competitivo, mas deve acabar pressionando quem depende mais do mercado interno”, explicou a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, Regiane Bressan.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
O agronegócio exportador aparece como principal beneficiado inicial do acordo, especialmente em produtos como carnes de aves e suína, açúcar, café e etanol industrial. Mesmo com cotas para itens sensíveis, especialistas avaliam que haverá ampliação relevante nas vendas.
Regiões como o Centro-Oeste e parte do Sul devem sentir mais rapidamente os efeitos positivos, devido à forte presença da agroindústria exportadora.
A indústria também se destaca entre os beneficiados. Segundo a CNI, cerca de 93% dos produtos com tarifa zerada já na largada são bens industriais, incluindo máquinas, equipamentos, produtos químicos e materiais elétricos.
A redução de custos deve aumentar a competitividade brasileira frente a países que não possuem acordos comerciais com o bloco europeu.
Outro impacto esperado é sobre a indústria que depende de insumos europeus. Com a redução gradual de tarifas — que hoje podem chegar a 35% — empresas brasileiras poderão importar máquinas e componentes com menor custo.
Isso tende a favorecer setores como indústria química, farmacêutica, autopeças e tecnologia, desde que haja investimento em modernização e melhoria do ambiente de negócios.
Por outro lado, o acordo impõe desafios para setores menos competitivos da indústria nacional, especialmente aqueles voltados ao mercado interno.
Mesmo com prazos longos para redução tarifária, a concorrência com produtos europeus — geralmente mais tecnológicos — deve crescer de forma gradual, podendo reduzir a participação de mercado de empresas brasileiras.
A agricultura familiar e pequenos produtores também demonstram preocupação, principalmente em segmentos como queijos, vinhos e produtos artesanais.
A concorrência com itens europeus, muitas vezes subsidiados e produzidos em larga escala, pode dificultar a permanência desses produtores no mercado interno.
Para especialistas, o sucesso desses segmentos dependerá de políticas públicas, acesso a crédito e adaptação às novas exigências do mercado internacional.
Leia também | Lula anuncia novo Desenrola com uso do FGTS
Tags: acordo Mercosul União Europeia, UE Mercosul, comércio internacional, economia brasileira, exportações, agronegócio, indústria brasileira, tarifas de importação, PIB Brasil, CNI, abertura comercial, mercado europeu, agricultura familiar, indústria competitiva, globalização, Portal Terra da Luz