

A equidade salarial nas empresas fortalece a autonomia feminina e contribui para romper ciclos de violência e dependência econômica | Foto: reprodução
20 de março de 2026 – A revisão justa de cargos e salários tem se consolidado como uma importante ferramenta no enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. Mais do que uma pauta trabalhista, a equidade salarial impacta diretamente a autonomia financeira feminina, reduzindo vulnerabilidades que perpetuam ciclos de dependência e violência.
Dados recentes apontam que mulheres ainda recebem, em média, 21% menos que homens no setor privado. Essa desigualdade, além de estrutural, interfere na capacidade de romper relações abusivas. Um estudo da Universidade de Brasília indica que 61% das mulheres consideram a dependência financeira um dos principais obstáculos para denunciar agressões.
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No ambiente corporativo, políticas de equidade salarial ganham relevância estratégica. A chamada violência patrimonial, prevista na Lei Maria da Penha, evidencia como o controle econômico pode ser utilizado como forma de opressão.
Especialistas defendem que empresas devem adotar critérios técnicos claros na definição de salários e promoções, com base em desempenho, função e experiência, eliminando vieses de gênero. Estruturas como planos de cargos e salários, avaliação de desempenho transparente e políticas de reconhecimento são fundamentais para garantir justiça interna.
Além disso, iniciativas como canais de denúncia, combate ao assédio, apoio à parentalidade e flexibilidade de jornada contribuem para um ambiente mais seguro. Segundo levantamento da Think Eva em parceria com o LinkedIn, quase metade das vítimas de assédio moral não denuncia por medo de retaliação.
A presença de mulheres em cargos de liderança também é apontada como fator determinante para ampliar a equidade dentro das empresas. A representatividade contribui para um ambiente mais inclusivo, estimulando o protagonismo feminino e demonstrando possibilidades reais de crescimento profissional.
Especialistas reforçam que diversidade de gênero não deve ser tratada apenas como pauta de recursos humanos, mas como estratégia de negócio, capaz de melhorar resultados e ampliar a capacidade de decisão nas organizações.
Programas como o Emprega + Mulheres incentivam a inclusão feminina no mercado de trabalho, promovendo mudanças estruturais nas empresas.
Entre as legislações que reforçam a proteção das mulheres estão a Lei da Igualdade Salarial, que garante remuneração igual para trabalho equivalente, e a Lei do Feminicídio, que classifica o assassinato de mulheres por razão de gênero como crime hediondo.
Outras normas, como a Lei do Stalking e a Lei Carolina Dieckmann, também ampliam a proteção em diferentes contextos, incluindo o ambiente digital.
Ao investir em equidade salarial e políticas inclusivas, empresas contribuem não apenas para reduzir desigualdades, mas também para fortalecer a autonomia feminina e ampliar a rede de proteção contra a violência.
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