

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal | Foto: José Cruz/Agência Brasil
23 de janeiro de 2026 — Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram, nesta sexta-feira (23), um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB), após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas investigações que apuram a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).
As representações foram apresentadas pelo PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL. As legendas alegam a prática de crimes de responsabilidade relacionados à condução do governo local em operações envolvendo o banco público, apontando risco ao erário e violação de princípios da administração pública.
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Entre os principais pontos citados nos pedidos estão a compra de títulos considerados de baixa qualidade e de origem irregular, a criação de dívidas fora do orçamento oficial, negociações sem transparência com o banqueiro Daniel Vorcaro e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB.
Segundo os partidos, houve “atuação temerária” do Executivo do Distrito Federal em operações que resultaram em prejuízos expressivos ao banco público, hoje alvo de investigações da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central (BC).
Ibaneis Rocha nega qualquer irregularidade. Em declarações à imprensa nesta sexta-feira, o governador afirmou que nunca tratou diretamente da operação envolvendo o BRB e o Banco Master com Daniel Vorcaro. Segundo ele, todas as negociações eram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.
O governador confirmou encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na residência de Vorcaro, mas afirmou que as reuniões não tiveram relação com o banco. “Em momento algum, nas quatro vezes que o encontrei, tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique”, declarou.
Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo e posteriormente demitido após a deflagração de operações da PF e do MPF. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou cerca de R$ 16,7 bilhões no Banco Master, valores que são alvo de apuração por suspeita de gestão fraudulenta.
De acordo com investigações do MPF e da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas inexistentes, em uma tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava grave crise de liquidez.
O caso levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro. O prejuízo estimado ao BRB pode chegar a R$ 4 bilhões. Informações divulgadas pela imprensa indicam que o BC teria determinado um provisionamento mínimo de R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis perdas, dado que ainda não foi oficialmente confirmado pelo órgão.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com Ibaneis Rocha sobre as negociações envolvendo o Banco Master e o BRB. O conteúdo do depoimento, prestado em 30 de dezembro, veio a público após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
As apurações indicam que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma participação relevante no Banco Master, com apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central.
Além das investigações conduzidas pela PF, MPF e BC, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também analisam as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.
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Tags: Ibaneis Rocha, impeachment, Distrito Federal, oposição no DF, BRB, Banco de Brasília, Banco Master, Daniel Vorcaro, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Banco Central, gestão pública, crime de responsabilidade, governo do DF, política local, investigação financeira, rombo bilionário, auditoria independente, STF, Dias Toffoli