

Fernando Haddad, ministro da Fazenda, durante entrevista em Brasília, ao comentar mudanças na fiscalização do sistema financeiro após o escândalo do banco Master | Foto: Reuters via BBC
19 de janeiro de 2026 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que a fiscalização e a regulação dos fundos de investimento deveriam ser transferidas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o Banco Central (BC). A declaração foi feita em entrevista ao UOL, em meio aos desdobramentos do escândalo envolvendo o banco Master e suspeitas de fraudes bilionárias investigadas pela Polícia Federal.
Atualmente, a supervisão dos fundos de investimento é atribuição da CVM, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. Para Haddad, no entanto, o avanço da complexidade do sistema financeiro exige uma revisão do modelo regulatório, com maior protagonismo do Banco Central.
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Segundo Haddad, ele apresentou ao Executivo uma proposta para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central, incluindo a fiscalização direta dos fundos de investimento. De acordo com o ministro, há uma intersecção cada vez maior entre fundos, sistema financeiro e contabilidade pública.
“Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do BC. Tem coisa que deveria estar no BC e que hoje está na CVM. O Banco Central tem de passar a fiscalizar os fundos”, afirmou Haddad.
O ministro ressaltou que a iniciativa, neste momento, é pessoal e ainda não representa uma posição formal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora o tema já esteja em debate dentro do Executivo.
Para Haddad, a centralização da fiscalização no BC seguiria o modelo adotado em países desenvolvidos e poderia fortalecer o controle sobre operações que impactam diretamente o sistema financeiro nacional.
As declarações ocorrem em meio à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do banco Master. O objetivo seria viabilizar fraudes financeiras de grande escala.
Diante das irregularidades identificadas, o Banco Central decretou a liquidação do Master e, posteriormente, também determinou a liquidação da empresa responsável pela gestão dos fundos ligados ao grupo Reag Investimentos. A Reag já era alvo de investigações por suspeita de vínculos com organizações criminosas.
Haddad também comentou, de forma indireta, o momento delicado vivido pela CVM, que atualmente opera com apenas dois dos cinco cargos da diretoria ocupados. A recente indicação do advogado Otto Lobo para a presidência do órgão, feita pelo presidente Lula, gerou críticas de especialistas e do mercado financeiro.
Analistas avaliam que a CVM deve ser blindada de influências políticas, devido ao papel estratégico que exerce na fiscalização do mercado de capitais. O episódio aumentou o debate sobre a necessidade de reformulação do modelo regulatório brasileiro.
Na entrevista, o ministro saiu em defesa do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmando que o escândalo do banco Master foi herdado da gestão anterior, comandada por Roberto Campos Neto.
“Herdou um problema, que é o banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Galípolo descascou esse grande abacaxi com responsabilidade e competência”, declarou Haddad.
Segundo o ministro, as decisões duras adotadas pelo BC foram necessárias para preservar a estabilidade do sistema financeiro.
Questionado sobre críticas relacionadas ao aumento da carga tributária e ao apelido “Taxadd”, Haddad afirmou não se incomodar com o rótulo. Ele destacou medidas que ampliaram a tributação sobre offshores, fundos fechados, dividendos e apostas on-line.
“O muito rico que não pagava imposto passou a pagar. Isso é viver em sociedade”, disse.
Haddad também comentou sobre seu futuro político e afirmou que mantém conversas com o presidente Lula sobre 2026, sem decisão tomada até o momento sobre eventual candidatura.
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Tags: Fernando Haddad, Banco Central, CVM, fundos de investimento, banco Master, escândalo financeiro, fiscalização financeira, sistema financeiro, Operação Compliance Zero, Polícia Federal, Gabriel Galípolo, Ministério da Fazenda, economia brasileira, regulação financeira, política econômica, impostos, governo Lula, Portal Terra Da Luz