

Logomarca do Fundo Monetário Internacional durante evento internacional; organismo revisou para baixo a projeção de crescimento do Brasil em 2026 | Foto: Reuters/ Johannes P. Christo
19 de janeiro de 2026 – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026 para 1,6%, citando a manutenção de juros elevados como principal motivo para a desaceleração. A revisão negativa contrasta com o cenário global, que teve projeções ajustadas para cima, impulsionadas sobretudo pelos investimentos em tecnologia e inteligência artificial (IA).
Os dados constam da atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, divulgada nesta segunda-feira (19). Segundo o FMI, o Brasil foi um dos poucos grandes países a registrar corte nas estimativas para 2026.
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Para 2026, a projeção caiu 0,3 ponto percentual, de 1,9% para 1,6%. Em contrapartida, o Fundo elevou levemente as estimativas para os anos adjacentes: 2025 passou de 2,4% para 2,5%, enquanto 2027 avançou de 2,2% para 2,3%.
De acordo com o organismo internacional, o desempenho mais fraco esperado para 2026 reflete os efeitos defasados do aperto monetário. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, está no maior patamar em quase duas décadas e vem sendo mantida nesse nível desde agosto de 2025.
“As perspectivas mais fracas para o Brasil estão ligadas, principalmente, à política monetária restritiva adotada para conter a inflação elevada no ano passado”, destacou o FMI no relatório.
Enquanto o Brasil enfrenta revisão negativa, o crescimento global foi ajustado positivamente. Para 2026, a projeção passou para 3,3%, alta de 0,2 ponto percentual. Em 2025, a estimativa também ficou em 3,3%, e para 2027 permaneceu em 3,2%.
O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, ressaltou a resiliência da economia mundial após as tensões comerciais e tarifárias de 2025. “A economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e se saindo melhor do que esperávamos”, afirmou.
Na comparação regional, o desempenho brasileiro segue abaixo da média. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027. Já as economias emergentes e em desenvolvimento devem avançar 4,2% em 2026, reforçando o caráter isolado da revisão negativa para o Brasil.
Apesar do otimismo global, o FMI alertou que o crescimento está concentrado em poucos países e setores, especialmente os ligados à inteligência artificial. Caso os ganhos de produtividade não se confirmem, o Fundo avalia que pode haver correções nos mercados financeiros.
Para o Brasil, a recomendação é de cautela. Mesmo com sinais de melhora em 2025 e 2027, o custo elevado do crédito segue como o principal freio à expansão econômica no curto prazo.
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