

As ameaças tarifárias reacenderam o debate sobre o uso do chamado Instrumento Anticoerção | Foto: reprodução
18 de janeiro de 2026 – Parlamentares da União Europeia (UE) intensificaram neste domingo (18) a pressão por uma resposta firme às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender a anexação da Groenlândia e prometeu impor tarifas comerciais a países que se opuserem à medida. As declarações colocam em risco acordos recentes firmados entre Washington, a UE e o Reino Unido.
As ameaças tarifárias reacenderam o debate sobre o uso do chamado Instrumento Anticoerção, um mecanismo econômico ainda inédito que permite ao bloco europeu reagir a pressões comerciais consideradas abusivas por parceiros internacionais.
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No sábado (17), Trump anunciou que pretende aplicar uma nova onda de tarifas contra países europeus, incluindo Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Finlândia, além da Grã-Bretanha e Noruega, até que os Estados Unidos sejam autorizados a comprar a Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.
A medida representa uma escalada na disputa geopolítica em torno da ilha ártica e levanta questionamentos sobre a continuidade dos acordos comerciais assinados recentemente, como o firmado entre EUA e Reino Unido em maio e o acordo com a União Europeia fechado em julho.
Diante do cenário, o Chipre, que ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE, convocou uma reunião de emergência em Bruxelas com embaixadores do bloco. Parlamentares e autoridades discutem a adoção do Instrumento Anticoerção, que pode restringir o acesso de empresas americanas a licitações públicas europeias ou limitar o comércio de serviços nos quais os EUA mantêm superávit.
As ameaças surgem em um momento sensível para a UE, que acaba de assinar o maior acordo de livre comércio de sua história, com o Mercosul, no Paraguai. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o tratado envia um “sinal muito forte” ao mundo sobre o compromisso europeu com o comércio multilateral.
Em publicações nas redes sociais, membros do Parlamento Europeu classificaram as medidas anunciadas por Trump como inaceitáveis. O eurodeputado Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional, afirmou que o presidente americano está utilizando o comércio como instrumento de pressão política.
“As novas tarifas americanas para vários países são inacreditáveis. Não é assim que se tratam parceiros. Uma nova linha foi cruzada”, declarou Lange, defendendo a suspensão da implementação do acordo comercial entre UE e EUA até que as ameaças sejam retiradas.
O parlamentar também pediu a ativação imediata do Instrumento Anticoerção, ressaltando que o mecanismo foi criado exatamente para situações como essa.
Apesar do tom duro adotado por parte do Parlamento, diplomatas europeus avaliam que agravar o conflito pode não ser a melhor estratégia no momento. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, considerada uma das líderes mais próximas de Trump na UE, classificou as ameaças tarifárias como “um erro”, mas afirmou estar dialogando com o presidente americano para buscar uma solução diplomática.
Já a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, declarou apoio à Dinamarca e ao povo da Groenlândia, alertando que medidas contra aliados da OTAN não contribuem para a segurança no Ártico e podem favorecer adversários comuns do Ocidente.
Do lado britânico, a secretária de Cultura, Lisa Nandy, afirmou que o Reino Unido defende a soberania da Groenlândia, mas ressaltou a importância de evitar uma escalada verbal com Washington.
“Nossa posição sobre a Groenlândia é inegociável. É do nosso interesse coletivo trabalhar juntos e não iniciar uma guerra de palavras”, disse Nandy em entrevista à imprensa britânica.
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Tags: União Europeia, Estados Unidos, Donald Trump, Groenlândia, Parlamento Europeu, tarifas comerciais, Instrumento Anticoerção, geopolítica, comércio internacional, acordo comercial, UE e EUA, crise diplomática, OTAN, Mercosul, política internacional, economia global, Portal Terra Da Luz