

Acordo entre Mercosul e União Europeia deve ampliar o comércio e impactar preços de alimentos, medicamentos e produtos industrializados no Brasil | Foto: REUTERS
10 de janeiro de 2026 – Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avança para a fase final e já começa a desenhar seus efeitos práticos no Brasil. A expectativa é de impactos diretos no preço de produtos do dia a dia, como vinhos, medicamentos e alimentos, além de mudanças estruturais para a indústria e o agronegócio.
O tratado envolve os 27 países da União Europeia e os quatro integrantes do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e cria um mercado potencial de 720 milhões de consumidores, equivalente a cerca de 25% do PIB global.
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Especialistas apontam que o consumidor brasileiro tende a ser um dos principais beneficiados. Com a redução gradual das tarifas alfandegárias, itens tradicionais da UE devem ganhar espaço nas prateleiras do país.
Produtos como vinhos, queijos, lácteos, azeites, chocolates e bebidas destiladas podem registrar queda de preços ao longo do tempo. A diminuição não será imediata, mas progressiva, acompanhando o cronograma de eliminação das taxas de importação.
No caso dos automóveis europeus, hoje taxados em até 35%, a alíquota deve ser zerada em até 15 anos. Apesar do potencial de barateamento, especialistas ressaltam que cadeias produtivas globais e a dependência de componentes importados podem retardar os efeitos mais visíveis ao consumidor.
Mesmo com a atenção voltada para alimentos e veículos, os medicamentos e produtos farmacêuticos, inclusive de uso veterinário, continuam como um dos principais itens importados da União Europeia. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que esse segmento já representa mais de 8% das importações brasileiras vindas do bloco europeu.
A expectativa é de que a maior concorrência e a redução de tarifas contribuam para custos menores ao longo do tempo, beneficiando tanto consumidores quanto o sistema produtivo nacional.
O acordo não se limita aos bens finais. A eliminação de tarifas sobre máquinas, equipamentos, fertilizantes, produtos químicos e tecnologias agrícolas deve reduzir custos de produção e estimular investimentos em modernização.
No campo, produtores podem ter acesso mais barato a tratores, drones, sistemas de agricultura de precisão, sensores e telemetria, impulsionando produtividade e competitividade. Na indústria, a chegada de bens manufaturados e tecnologias europeias tende a facilitar processos de inovação.
Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil deve ser o país mais beneficiado pelo tratado. Até 2040, o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46%, percentual superior ao projetado para os demais países do Mercosul e para a própria União Europeia.
O acordo também amplia o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Calçados, frutas, carnes e outros itens do agronegócio devem se tornar mais competitivos com a redução ou eliminação de tarifas. Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% pode ser zerada assim que o tratado entrar em vigor.
Especialistas avaliam que, apesar do aumento das exportações, não há expectativa de alta relevante nos preços internos. A tendência é de equilíbrio, com os setores encontrando rapidamente mercados alternativos e mantendo a oferta no país.
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