

O salário mínimo é o valor base pago a milhões de brasileiros, além de servir como referência para aposentadorias, pensões, BPC, seguro-desemprego e outros benefícios | Foto: reprodução
24 de dezembro de 2025. O governo federal publicou nesta quarta-feira (24), no Diário Oficial da União, o Decreto nº 12.797, que oficializa o reajuste do salário mínimo nacional para R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. O texto é assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e confirma um aumento de R$ 103 em relação ao valor atual, fixado em R$ 1.518.
O reajuste representa uma alta de quase 7% e já valerá para salários e benefícios referentes a janeiro, que serão pagos no início de fevereiro. A mudança afeta diretamente trabalhadores que recebem o piso nacional e beneficiários de programas vinculados ao salário mínimo, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
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O salário mínimo é a menor remuneração permitida para trabalhadores formais no país. A Constituição Federal estabelece que o valor deve ser suficiente para atender às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, incluindo moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, transporte e previdência social.
O texto constitucional também determina que o piso seja reajustado periodicamente, ao menos pela inflação, para preservar o poder de compra. Na prática, isso significa que, se os preços sobem, o salário mínimo precisa acompanhar essa alta para evitar perdas reais.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro deste ano, valor mais de quatro vezes superior ao piso nacional atual.
Durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o salário mínimo foi reajustado apenas pela inflação, sem ganho real. No atual mandato de Lula, a política de valorização do salário mínimo foi retomada, garantindo aumentos acima da inflação, ainda que com limites impostos pelo novo arcabouço fiscal.
Alguns economistas, no entanto, defendem que benefícios previdenciários deixem de ser vinculados ao salário mínimo, como forma de conter o crescimento da dívida pública e a pressão sobre os juros.
De acordo com dados do Dieese, o salário mínimo serve de referência direta para cerca de 59,9 milhões de pessoas no Brasil. Além dos trabalhadores que recebem o piso nacional, aposentadorias e benefícios assistenciais também estão atrelados a esse valor.
O aumento do salário mínimo provoca ainda efeitos indiretos na economia, como a elevação do salário médio e o fortalecimento do poder de compra, especialmente entre as famílias de menor renda.
Se fosse aplicado apenas o reajuste constitucional pela inflação, o salário mínimo subiria dos atuais R$ 1.518 para cerca de R$ 1.582, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou alta de 4,18% em 12 meses até novembro.
A política adotada pelo governo Lula, no entanto, considera também o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%, o que permitiria um ganho real maior.
Apesar disso, uma lei aprovada em dezembro do ano passado limitou o aumento real do salário mínimo a 2,5%, em linha com o teto de gastos do arcabouço fiscal. Com isso, o cálculo final somou a inflação de 4,18% com o ganho real máximo de 2,5%, resultando no valor de R$ 1.621 para 2026.
O aumento do salário mínimo tem efeito direto sobre as despesas do governo federal. Isso ocorre porque benefícios previdenciários, o abono salarial e o seguro-desemprego não podem ter valor inferior ao piso nacional.
De acordo com estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um impacto de cerca de R$ 420 milhões nas despesas públicas em 2026. Assim, o reajuste de R$ 103 representa um acréscimo aproximado de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias.
Esse crescimento reduz o espaço para gastos discricionários, que são aqueles destinados a políticas públicas e investimentos, aumentando o desafio do governo para equilibrar as contas públicas no próximo ano.
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