

Glauber Braga (PSOL-RJ) observa o plenário da Câmara antes de votação da proposta de cassação do mandato dele | Foto: Fernanda Rouvenat/GloboNews
11 de dezembro de 2025 — A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a suspensão por seis meses do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). O parlamentar era alvo de um processo de cassação, mas uma articulação construída no plenário garantiu a aplicação de uma pena mais branda. O resultado final foi de 318 votos a favor, 141 contrários e 3 abstenções.
O Conselho de Ética da Câmara havia recomendado a cassação de Glauber Braga após episódios de confrontos físicos com integrantes do MBL e com o deputado Kim Kataguiri (União-SP). Entretanto, aliados do parlamentar articularam apoio dentro do plenário e conseguiram reverter a punição.
A decisão foi vista como uma vitória significativa para o PSOL, especialmente porque setores da própria esquerda já consideravam praticamente inevitável a perda do mandato.
A tensão se intensificou após o episódio desta terça-feira (9), quando Glauber ocupou a cadeira da Presidência da Mesa Diretora em protesto contra o avanço do processo de cassação. A atitude irritou colegas que criticaram o comportamento do deputado e afirmaram que ele poderia ter buscado diálogo ao longo do último ano.
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Aliados de Glauber buscaram apoio no Centrão para viabilizar uma alternativa à cassação. Uma emenda defendida por parlamentares do centro acabou ganhando força e foi decisiva para a suspensão temporária.
O deputado Fausto Pinato (PP-SP), uma das vozes favoráveis à pena mais branda, afirmou que a cassação seria excessiva. “O parlamento é plural. Não concordo com a perda de mandato”, declarou.
Parlamentares da oposição afirmaram que a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) atuou para manter o mandato de Glauber, supostamente oferecendo aceleração na liberação de emendas. O governo negou qualquer negociação deste tipo.
O secretário de Assuntos Parlamentares da SRI, André Ceciliano (PT-RJ), confirmou ter conversado com deputados, mas rejeitou a acusação de troca de favores.
Durante a votação, partidos da oposição não apresentaram uma posição unificada. O vice-líder do PL, Bibo Nunes (RS), chegou a orientar a bancada a votar pela suspensão — argumento que culminou em sua destituição da vice-liderança pelo líder da legenda, Sóstenes Cavalcante (RJ).
O processo disciplinar teve início após Glauber protagonizar dois episódios de conflito. O primeiro ocorreu em abril, quando o deputado discutiu com o militante do MBL Gabriel Costenaro, dentro de um dos anexos da Câmara. A briga evoluiu para empurrões e chutes, exigindo a intervenção da polícia legislativa.
Durante o depoimento no Departamento de Polícia Legislativa (Depol), houve novo desentendimento, desta vez com Kim Kataguiri.
Na terça-feira (9), o parlamentar passou cerca de duas horas sentado na cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), conduzindo a sessão de forma irregular em protesto.
Por volta das 16h, Braga anunciou que não deixaria o local, desrespeitando o regimento da Casa. A polícia legislativa foi acionada e retirou o deputado à força. Durante o tumulto:
Após o episódio, Hugo Motta declarou que o parlamentar “desrespeitou a Câmara” e determinou apuração de possíveis excessos da segurança.
O presidente também citou o Ato da Mesa nº 145 para justificar a ação policial e afirmou que os atos de Braga não encontram respaldo no regimento da Casa.
A retirada dos repórteres durante o tumulto foi duramente criticada por parlamentares governistas, que classificaram a ação como “excessiva” e “antidemocrática”. A oposição também questionou a falta de transparência no momento em que o sinal da TV Câmara foi interrompido.
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Tags: Glauber Braga, PSOL, Câmara dos Deputados, Cassação, Política Brasileira, Plenário, Hugo Motta, Centrão, Conselho De Ética, Suspensão Parlamentar, Crise Política, Congresso Nacional