

Projeção aponta que indústria deve ser destaque positivo; serviços devem mostrar ‘perda de fôlego’ na comparação trimestral | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
03 de dezembro de 2025 — O mercado financeiro espera para esta quinta-feira (4) a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2025, com projeções que apontam para um crescimento modesto entre 0,1% e 0,3% na comparação com o trimestre anterior. Na base anual, a expectativa é de avanço entre 1,6% e 1,8%, mostrando um ritmo mais fraco após o desempenho robusto do primeiro semestre, impulsionado especialmente pelo agronegócio.
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A prévia do PIB, medida pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), já havia sinalizado desaceleração ao registrar queda de 0,20% em setembro e retração de 0,9% no acumulado do terceiro trimestre. O resultado foi pressionado pela redução da atividade industrial e dos serviços.
Projeções do Itaú indicam que a indústria deve apresentar o melhor desempenho, impulsionada pelo setor extrativo, especialmente pela produção de óleo e gás. Já o setor de serviços tende a mostrar perda de ritmo, com destaque negativo para os serviços prestados às famílias.
Para Leonardo Costa, economista do ASA, a atividade econômica vive um momento de “moderação disseminada”, após um primeiro semestre acima do potencial. Ele aponta que o agro — motor da economia no início de 2025 — deve ter contribuição neutra no terceiro trimestre.
Costa avalia também que o setor extrativo, que figurou como destaque nas últimas leituras, deve perder força, enquanto outras áreas industriais seguem operando com cautela devido às condições econômicas mais restritivas.
Dados da produção industrial divulgados nesta semana reforçam o cenário: avanço de apenas 0,1% frente à expectativa de 0,5% e queda de 0,5% na comparação anual. Ainda assim, o Itaú projeta crescimento anual de 1,6% para o setor no trimestre.
Segundo Rafael Perez, economista da Suno Research, o mercado de trabalho aquecido, a renda em alta e o bom desempenho dos serviços seguem sustentando a atividade, mesmo diante da desaceleração de comércio, construção e indústria.
A XP reforça que a economia perde força no segundo semestre devido às restrições de crédito, juros altos, aumento da inadimplência e endividamento crescente das famílias — fatores parcialmente compensados pela renda real mais alta.
O Itaú estima que os serviços cresçam 1,5% no trimestre em termos anuais, abaixo dos 2% registrados no trimestre anterior, refletindo principalmente a queda no segmento de “outros serviços” e nos prestados às famílias.
O consumo das famílias e os investimentos também devem desacelerar no 3º trimestre, impactados pelo alto custo do crédito e pelo endividamento. A projeção do Itaú é de alta de 1,2% no consumo das famílias — menor que os 1,8% do trimestre anterior — e avanço de 2% nos investimentos, queda expressiva frente aos 4,1% do trimestre passado.
O Itaú projeta crescimento de 2,2% no PIB de 2025, mas vê riscos levemente baixistas relacionados ao mercado de crédito e às mudanças tributárias. Já a Suno Research prevê alta de 2,3%, enquanto a XP estima 2,1%. O banco Daycoval projeta avanço de 2%.
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