

31 de outubro de 2025 — Sete governadores brasileiros anunciaram, nesta quinta-feira (30), a criação do “Consórcio da Paz”, uma aliança interestadual voltada à troca de informações de inteligência, apoio financeiro e cooperação policial no enfrentamento ao crime organizado. A medida foi tomada após a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou pelo menos 121 mortos, entre eles quatro policiais militares.
O encontro ocorreu no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, e reuniu os governadores Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais), Jorginho Mello (Santa Catarina), Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), Ronaldo Caiado (Goiás) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, além de Tarcísio de Freitas (São Paulo), que participou por videoconferência.
O Rio de Janeiro será a sede inicial do consórcio e ficará responsável pela formalização jurídica do grupo. Segundo Cláudio Castro, o objetivo é “dividir experiências, soluções e ações no combate ao crime organizado” entre os estados.
O governador Jorginho Mello afirmou que o consórcio deve reunir todas as unidades da federação. “Vamos integrar as 27 unidades da Federação, trocar experiências, compartilhar equipamentos e unir esforços para enfrentar definitivamente essa onda de violência que atinge todo o Brasil”, declarou.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Durante a reunião, os governadores elogiaram a Operação Contenção, responsável pela megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Para Romeu Zema, de Minas Gerais, a ação foi “a mais bem-sucedida” já realizada pela segurança pública no país.
A operação apreendeu 93 fuzis, interditou vias e teve como alvo Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como líder da facção Comando Vermelho, que não foi capturado.
Entretanto, organizações da sociedade civil e especialistas em segurança pública criticaram a ação, classificando-a como excessivamente letal. Moradores relataram execuções e torturas, e entidades apontaram que o combate ao crime organizado exige políticas mais amplas, que considerem fatores sociais e econômicos, e não apenas o uso da força.
Os governadores também aproveitaram o encontro para criticar a PEC da Segurança Pública, proposta enviada pelo governo federal em abril de 2025, que prevê transformar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) em política de observância obrigatória para estados e municípios.
Para Ronaldo Caiado, governador de Goiás, a medida representa “intervenção direta nas polícias estaduais”. Segundo ele, o governo federal tenta retirar dos estados as diretrizes constitucionais sobre segurança.
Já o governo federal argumenta que a PEC mantém a autonomia dos entes federativos, garantindo maior integração entre forças estaduais e nacionais.
Um dia antes da reunião, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e Cláudio Castro anunciaram a criação de um escritório emergencial para intensificar a atuação conjunta no Rio de Janeiro. O plano prevê o aumento de 50 agentes da Polícia Rodoviária Federal nas estradas e o envio de novos agentes de inteligência e peritos federais.
O governo federal também autorizou a transferência de dez presos considerados de alta periculosidade para o sistema penitenciário federal, a pedido do governo fluminense.
Leia também | Governo envia peritos da Polícia Federal ao Rio e anuncia projeto de lei antifacção
Tags: Consórcio da Paz, governadores, Cláudio Castro, crime organizado, operação policial Rio, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, PEC da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Jorginho Mello, Tarcísio de Freitas, Eduardo Riedel, Celina Leão, segurança pública, violência urbana, Comando Vermelho, favelas do Rio, Rio de Janeiro, operação Contenção, política nacional, Polícia Militar, PRF, governo federal, sistema penitenciário, integração interestadual, combate à criminalidade, Polícia Civil, segurança pública no Brasil, operação policial, consórcio entre estados