

Presença militar dos EUA aumenta pressão sobre Maduro | Foto: Martin Bernetti/AFP
26 de outubro de 2025 — Um navio de guerra lançador de mísseis dos Estados Unidos chegou neste domingo (26) a Trinidad e Tobago, pequeno arquipélago localizado a poucos quilômetros da Venezuela, em meio à escalada de tensões entre Washington e o governo de Nicolás Maduro.
A chegada do USS Gravely havia sido anunciada na última quinta-feira (23) pelo governo local. O destróier ficará atracado em Port of Spain, capital trinitária, até o dia 30 de outubro. Durante o período, fuzileiros navais norte-americanos devem realizar exercícios conjuntos com as forças de defesa do país caribenho, dentro da campanha dos Estados Unidos contra o narcotráfico no Caribe.
Moradores relataram que a presença do navio divide opiniões. “Há uma boa razão para trazerem o navio de guerra para cá. É para ajudar a limpar os problemas de drogas que vêm do território venezuelano”, disse Lisa, moradora local de 52 anos.
A primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, aliada política de Donald Trump, adotou um discurso rígido contra a imigração e o crime organizado provenientes da Venezuela. Caracas, por sua vez, acusa o novo governo de Trinidad e Tobago de servir aos interesses de Washington.
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No sábado (25), o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, anunciou exercícios militares de defesa costeira, em resposta à presença militar norte-americana próxima ao país.
“Estamos desenvolvendo um exercício para nos proteger das ameaças militares, do narcotráfico, das operações encobertas e de tentativas de desestabilizar o país”, afirmou Padrino.
O governo Maduro classificou as ações dos Estados Unidos como “provocações militares”, acusando Trump de “inventar uma guerra” para justificar uma intervenção.
As tensões entre EUA e Venezuela vêm crescendo desde agosto, quando Washington mobilizou navios, caças, drones e tropas navais para o sul do Caribe. Trump chegou a admitir que autorizou operações secretas da CIA no país.
De acordo com o cientista político Maurício Santoro, o aumento da presença militar norte-americana está relacionado aos interesses estratégicos e econômicos dos EUA, incluindo o acesso às reservas de petróleo e riquezas minerais venezuelanas. “Estamos na iminência de um ataque de larga escala. Se isso ocorrer, será a primeira vez que os Estados Unidos atacam militarmente um país da América do Sul”, avaliou Santoro.
O governo norte-americano, no entanto, insiste que as ações têm caráter exclusivamente antidrogas.
Durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu-se como interlocutor entre os EUA e a Venezuela.
Segundo o chanceler Mauro Vieira, Lula afirmou que a América do Sul é uma região de paz e defendeu a busca por soluções diplomáticas. “O Brasil estará sempre disposto a atuar como elemento da paz e do entendimento, como é tradição da nossa diplomacia”, declarou Vieira.
Na última sexta-feira (24), Lula já havia criticado a estratégia norte-americana de realizar ataques sob o pretexto de combater o narcotráfico. “Se a moda pega, cada um vai invadir o território do outro. Onde fica a soberania dos países?”, questionou o presidente.
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