

Estudos apontam que mais de 280 mil km² já apresentam características de clima árido, exigindo políticas públicas urgentes para conter degradação e êxodo rural | Foto: reprodução
Dados de estudos recentes do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite (LAPIS), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), indicam que o semiárido brasileiro está passando por um processo de aridização em algumas áreas. A estimativa de 282 mil quilômetros quadrados com clima árido um território maior que o estado do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas é um sinal claro da gravidade do problema. É importante entender a diferença entre o clima semiárido, que já enfrenta longos períodos de seca, e o clima árido, que tem condições ainda mais severas devido à baixa umidade do ar e à escassez de chuvas.
Essa transição está relacionada a uma combinação de fatores: (i) Mudanças Climáticas, que geram eventos climáticos extremos, como as secas-relâmpago, que combinam pouca chuva com altas temperaturas, aceleram a perda de umidade do solo, bem como, decomposição da vegetação e (ii) Antropização (ação humana). O uso insustentável da terra – como o desmatamento da Caatinga para pecuária e agricultura de sequeiro -, a retirada de lenha e as queimadas, contribuem para a degradação e a perda da capacidade do solo de reter água e se regenerar.
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Essa realidade torna as discussões sobre a agricultura familiar, notadamente no semiárido cearense, ainda mais cruciais e urgentes. As soluções não podem ser apenas reativas; precisam ser proativas e regenerativas. A aridização não é apenas um problema ambiental; é um problema socioeconômico grave. Ela intensifica a pobreza, a insegurança alimentar e força o êxodo rural, já que a terra se torna incapaz de fornecer sustento às famílias.
As estratégias para mitigação e, enfrentamento do problema passa, pela implantação de políticas públicas voltadas para a adoção de agricultura regenerativa, cultivo protegido e o uso de bioinsumos. Essas estratégias ganham ainda mais importância, nesse contexto. Elas são básicas para construir sistemas produtivos que não apenas sobrevivem às condições adversas, mas que ativamente as revertem, transformando solos deteriorados em áreas produtivas e resilientes. Se a agricultura familiar do semiárido tem a capacidade de sequestrar carbono no solo, reverter a desertificação e produzir de forma sustentável, ela se torna, evidentemente, em parte da solução para esse problema alarmante e iminente.
Nizomar Falcão é Ph.D. Engenheiro Agrônomo da Ematerce
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