

Dependência das exportações mantém crescimento, mas expõe fragilidades | Foto: REUTERS/Go Nakamura/File Photo
20 de outubro de 2025 — O Produto Interno Bruto (PIB) da China desacelerou para o ritmo mais fraco em um ano no terceiro trimestre, crescendo 4,8% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pela Reuters. Embora o resultado tenha ficado em linha com as expectativas e mantenha o país no caminho para atingir a meta de 5% ao ano, o crescimento segue apoiado na força das exportações, enquanto a demanda interna permanece enfraquecida.
A economia chinesa enfrenta desequilíbrios estruturais cada vez mais evidentes. A forte dependência de suas fábricas exportadoras tem deixado o país vulnerável à volatilidade do comércio global e à intensificação das tensões comerciais com Washington. Essa situação levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do atual ritmo de crescimento.
Fontes do governo chinês acreditam que a resiliência dos números pode ser usada como demonstração de força diplomática nas conversas entre o vice-premiê He Lifeng e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, previstas para os próximos dias na Malásia. Também há expectativa de um possível encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul.
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Jeremy Fang, diretor de vendas de uma fabricante de alumínio na China, relatou à Reuters que sua empresa perdeu cerca de 20% da receita. Apesar do aumento das vendas para a América Latina, África e Oriente Médio, a queda de até 90% nos pedidos dos Estados Unidos afetou fortemente o desempenho da companhia.
“É preciso ser implacavelmente competitivo em termos de preço”, afirmou Fang. “Se o cliente pechinchar, é melhor reduzir o valor e garantir o pedido. Você não pode hesitar.” Essa pressão intensa tem levado empresas a cortar salários e empregos, aprofundando a fraqueza do consumo interno.
Os dados oficiais indicam que a produção industrial da China cresceu 6,5% em setembro em relação ao ano anterior, o melhor desempenho em três meses. No entanto, as vendas no varejo avançaram apenas 3%, o nível mais baixo em 10 meses.
O mercado imobiliário, que continua sendo um dos principais pilares da economia chinesa, segue em crise. Os preços das novas moradias registraram a maior queda em 11 meses, enquanto o investimento no setor caiu 13,9% nos três primeiros trimestres de 2025.
“O crescimento da China está se tornando cada vez mais dependente das exportações, que estão compensando a desaceleração da demanda interna”, avaliou Julian Evans-Pritchard, analista da Capital Economics. “Esse padrão não é sustentável e, se o governo não agir de forma mais proativa para estimular o consumo, o crescimento deve desacelerar ainda mais nos próximos meses.”
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