

Fraude no INSS: esquema usava descontos indevidos em aposentadorias desde 2019 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A Polícia Federal revelou nesta terça-feira (29) que três dirigentes do INSS — incluindo dois ex-diretores e o ex-procurador-geral — teriam recebido R$ 17 milhões em propinas para manter um esquema de fraudes em descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
De acordo com o relatório da PF, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, afastado do cargo na semana passada, atuou para garantir a continuidade dos desvios ao alterar pareceres técnicos e liberar descontos ilegais em massa, beneficiando entidades como a CONTAG. A investigação aponta o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como principal operador do esquema, com quatro empresas envolvidas na lavagem de dinheiro.
As fraudes teriam começado em 2019, mas os desvios mais expressivos ocorreram entre 2022 e 2024. A Polícia Federal apura que os recursos desviados circulavam entre empresas de fachada, familiares dos servidores e entidades associativas.
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O ministro da Previdência, Carlos Lupi, prestou depoimento na Câmara dos Deputados nesta terça. Ele afirmou que não houve omissão, mas reconheceu a demora para apurar os alertas recebidos ainda em 2023. Lupi propôs encerrar os convênios de desconto direto na folha entre INSS e entidades:
“Minha proposta é que o INSS saia do desconto em folha e a instituição se entenda diretamente com o aposentado”.
A PF ainda está analisando dados dos celulares apreendidos para identificar todos os envolvidos. A suspensão dos acordos de cooperação técnica foi publicada nesta terça-feira pelo INSS.
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