

Kenneth Frazier, CEO da Merck | Foto: Chris Goodney/Bloomberg
A diversidade nas organizações ainda destoa do ideal e a equidade de raças em cargos de liderança é pouco vista nas cadeiras mais altas das organizações no Brasil e vários países. De acordo com estudo global The Black P&L Leader da consultoria de gestão Korn Ferry, apenas 4 dos 500 CEOs listados na Fortune são negros, representando menos de 1% do total. Há 10 anos, apesar de tímido, o número ainda era de 7, e nos próximos anos pode haver ainda menos ou nenhum líder negro na lista.
No Brasil, o cenário da falta de diversidade é similar. Das 423 empresas listadas na Bolsa de Valores nacional, 79% responderam ter de 0 a 11% de pessoas negras na direção e 78% têm de 0 a 11% em cargos de C-level, segundo levantamento da B3.
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Para a Sênior Principal e Líder de Projetos de DE&I Brasil da Korn Ferry, Milene Schiavo, promover a diversidade de raças e gêneros nas lideranças deve ser uma agenda intencional das organizações, apoiada e patrocinada pelo 1º nível de liderança. Quando a diversidade no C-Level no Brasil é avaliada, o país ainda está muito longe de representar a nossa sociedade, segundo Milene. Para ela, é preciso criar ações estruturadas para que grupos menorizados possam, não apenas ingressar, mas progredir nas organizações e chegar nas posições mais sêniores e de alta liderança. “A pluralidade de líderes promove uma virada de chave na forma como as empresas são comandadas. Deveríamos estar muito mais a frente neste assunto. E já entendemos e constatamos que empresas que veem a diversidade como algo natural já colhem frutos financeiros”, pontua.
O estudo da Korn Ferry revelou também que as organizações com times mais inclusivos superam a concorrência. As com equipes executivas mais diversas são 70% mais propensos a conquistar novos mercados do que os menos diversificados e geram 38% mais em receita de produtos e serviços inovadores.
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O estudo da Korn Ferry entrevistou 28 líderes sêniores negros de P&L em empresas da Fortune 500, que contaram seus caminhos até chegarem à cadeira de gestão. 60% deles relataram ter que trabalhar duas vezes mais duro e realizarem o dobro de resultado de seus pares para obter o mesmo nível de reconhecimento. Também relataram precisar repetir feitos de sucesso e demonstrar suas capacidades e provar seu valor para escalar a escada corporativa.
Milene comenta que os executivos ouvidos no estudo precisaram arriscar a carreira em tarefas outros membros da empresa não queriam assumir justamente para provarem que eram capazes. “Os projetos extremamente difíceis e que eram “descartados” pelo time foram assumidos por 36% destes executivos que hoje estão no topo. Esses líderes demonstraram uma tremenda força de vontade e administraram ventos contrários, retrocessos e exclusão social significativos para seguir em frente. Tudo isso por encontrarem ali uma chance de mostrarem competências e se destacarem em meio a uma competição desigual pelo crescimento corporativo”.
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Mais de 80% por cento dos líderes negros de P&L disseram que ter um mentor responsável era indispensável para a progressão na carreira. Esses mentores os ajudaram a aumentar a exposição e o acesso a oportunidades no mundo corporativo, segundo o estudo da Korn Ferry.
A Korn Ferry é uma empresa global de consultoria organizacional que ajuda seus clientes a alinhar estratégia e talento, impulsionando, assim, um desempenho superior. Apoia diretamente as organizações desenhando as suas estruturas, funções e responsabilidades e as auxiliam a contratar as pessoas certas para colocar sua estratégia em ação. Além disso, as orientam em como recompensar, desenvolver e motivar os seus colaboradores.
Mais de 8.000 colegas atendem clientes em mais de 50 países, através de cinco soluções essenciais:
Presente nos Emirados Árabes, Europa, África, América do Norte, América Latina e Ásia, a Korn Ferry conta com mais de 100 escritórios ao redor do mundo, e desenvolve pesquisas exclusivas sobre liderança, comportamento empresarial, mercado de trabalho, recursos humanos e outros temas.
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