

Jovens estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do cigarro eletrônico, segundo especialistas em saúde respiratória. | Foto: Freepik
20 de maio de 2026 – O uso de cigarros eletrônicos, conhecidos popularmente como vapes, tem preocupado especialistas em saúde devido ao avanço acelerado entre adolescentes e jovens no Brasil. Aromas doces e aparência moderna escondem um conjunto de substâncias tóxicas capazes de causar danos graves aos pulmões em pouco tempo, incluindo a bronquiolite obliterante, doença conhecida como “pulmão de pipoca”.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29,6% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos. O número representa quase o dobro do registrado em 2019, quando o índice era de 16,8%.
A condição apelidada de “pulmão de pipoca” afeta os bronquíolos, pequenas vias aéreas responsáveis pela condução do ar até os alvéolos pulmonares. A inflamação intensa provoca obstrução permanente e pode evoluir para insuficiência respiratória grave.
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De acordo com a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês, os danos provocados pelos dispositivos eletrônicos podem surgir rapidamente.
“O vape é muito prejudicial, e suas lesões se instalam nos pulmões mais rapidamente que o cigarro convencional. Apenas alguns meses de uso podem levar a lesões que o cigarro levaria vários anos para causar”, afirma a médica.
A especialista explica que o nome “pulmão de pipoca” surgiu após trabalhadores de fábricas de pipoca desenvolverem a doença ao inalarem diacetil, substância usada para conferir aroma amanteigado. Hoje, o mesmo composto está presente em diversos líquidos utilizados em cigarros eletrônicos.
“Esse composto aromatizante, quando inalado, causa fibrose dos bronquíolos. A inflamação é tão intensa que destrói o revestimento dessas vias aéreas, levando a uma obstrução irreversível”, destaca Elnara.
Além do diacetil, especialistas alertam que os vapes podem conter mais de duas mil substâncias químicas, incluindo metais pesados como chumbo, níquel e zinco, além de compostos cancerígenos como formaldeído e acroleína.
“São substâncias altamente venenosas, sem qualquer segurança para inalação”, alerta a pneumologista.
Outro ponto de preocupação é o alto potencial de dependência. Segundo Elnara Negri, o sal de nicotina utilizado nos cigarros eletrônicos foi desenvolvido para causar dependência de forma ainda mais rápida que o cigarro convencional.
“O sal de nicotina presente no cigarro eletrônico foi desenvolvido para viciar até dez vezes mais rápido que o convencional”, afirma.
Os impactos do vape também atingem o cérebro em desenvolvimento de adolescentes, podendo causar ansiedade, insônia, déficit de atenção e crises de pânico.
Os primeiros sinais costumam incluir tosse persistente, chiado no peito e falta de ar durante atividades físicas. Em alguns casos, os danos podem ser parcialmente revertidos quando identificados precocemente.
“Os danos podem evoluir para câncer de pulmão, boca e bexiga, além de perda progressiva da função respiratória”, explica a especialista.
Para a médica, o diálogo entre famílias e jovens é essencial para prevenir o avanço do uso dos dispositivos eletrônicos.
“Pais precisam estar atentos e conversar com seus filhos. O vício em vape muitas vezes exige ajuda médica para ser tratado”, ressalta.
O Hospital Sírio-Libanês é uma instituição filantrópica reconhecida nacionalmente pela atuação em assistência médico-hospitalar, ensino e pesquisa em saúde. A instituição possui acreditação internacional da Joint Commission International (JCI) e mantém unidades em São Paulo e Brasília.
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