

Uso precoce do antiviral contra influenza pode reduzir internações e complicações, mas vacinação segue como principal estratégia de prevenção | Foto: Douglas Magno/AFP
30 de maio de 2026 – O avanço dos casos graves de influenza no Brasil acende um alerta para a importância do diagnóstico, da vacinação e do uso precoce do antiviral oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu. Até 16 de maio, o País registrou mais de 8 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza, cerca de 70% a mais do que no mesmo período de 2025.
Em meio ao crescimento das internações e da circulação do vírus, infectologistas destacam que o uso precoce do medicamento pode reduzir em até 52% as hospitalizações relacionadas à doença. O Ministério da Saúde também aponta que o antiviral pode diminuir em até 38% o risco de morte.
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Segundo o Ministério da Saúde, praticamente todos os estados brasileiros estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, com exceção de Rondônia. Em 20 unidades da federação, há sinal de crescimento da tendência de longo prazo.
As hospitalizações por Influenza A seguem em alta na região Sul e em estados como São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins. Até a última semana analisada, foram registradas 31.775 hospitalizações por SRAG com identificação de vírus respiratórios.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) respondeu por 43% dos casos, seguido pela influenza, com 23%, e pelo rinovírus, com 21%. Entre os 1.210 óbitos associados a vírus respiratórios no País, 57% tiveram relação com influenza.

De acordo com especialistas, o Tamiflu apresenta melhores resultados quando iniciado nas primeiras 48 horas após o surgimento dos sintomas. O medicamento é indicado para pacientes com diagnóstico de influenza e pode reduzir a duração da doença, diminuir complicações e evitar a evolução para quadros graves.
O Ministério da Saúde informou que o antiviral é recomendado para pessoas com risco de agravamento e para casos de SRAG, mesmo sem confirmação laboratorial.
Segundo o infectologista Antônio Carlos Bandeira, o protocolo da pasta prioriza grupos com maior risco de complicações, como idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas. Ainda assim, ele ressalta que a indicação formal do medicamento é para qualquer pessoa com diagnóstico de influenza, como ocorre em outros países.
Entre os principais benefícios observados em estudos citados por especialistas, a redução das hospitalizações aparece como um dos resultados mais expressivos.
Segundo o infectologista da Fiocruz André Siqueira, o uso do oseltamivir está associado à redução de cerca de um dia na duração dos sintomas, diminuição de 40% a 50% das complicações leves em adultos, redução de 28% das complicações em grupos de alto risco, queda de 52% nas hospitalizações e redução de 18% na mortalidade entre idosos.
Os especialistas alertam, no entanto, que o benefício tende a ser menor quando o tratamento é iniciado tardiamente, especialmente após o desenvolvimento de pneumonia ou outras complicações.
O objetivo do uso precoce é reduzir os dias de sintomas, diminuir a intensidade da doença e evitar a progressão para quadros mais graves.
Apesar da importância do diagnóstico, infectologistas afirmam que os testes para identificar influenza nem sempre são realizados nos serviços de emergência. Entre os motivos apontados estão restrições orçamentárias e dificuldades de reembolso por parte dos convênios.
Segundo André Siqueira, em muitos pacientes de risco o resultado do exame não altera a conduta médica, já que o antiviral pode ser indicado mesmo sem confirmação laboratorial. Por isso, os testes acabam sendo mais utilizados em pacientes hospitalizados e para fins de vigilância epidemiológica.
O Ministério da Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenir casos graves, internações e mortes por influenza. Mais de 26,4 milhões de doses já foram aplicadas no País.
Atualmente, a vacina é oferecida prioritariamente a grupos definidos pela pasta, entre eles crianças pequenas, idosos, gestantes, profissionais da saúde, pessoas com doenças crônicas e outros públicos considerados mais vulneráveis.
A coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Claudia Valente, destaca que a meta de cobertura vacinal para influenza na população em geral é de 90%, mas esse índice não tem sido alcançado nos últimos anos. Ela defende maior incentivo para ampliar a adesão da população à campanha.
O governo federal informou ainda que distribuiu mais de 615 mil testes RT-PCR para vírus respiratórios aos estados neste ano e que novas remessas ainda podem ser enviadas.
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