
Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, citados em requerimentos parados na CPI do Crime Organizado | Foto: Andressa Anholete/STF
11 de fevereiro de 2026 – O avanço das investigações relacionadas ao caso Master na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, está travado pela ausência de sessões deliberativas do colegiado. A situação tem impedido a análise de requerimentos que envolvem familiares dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Os pedidos foram apresentados pelo senador Alessandro Vieira (SE) e incluem convocações e quebras de sigilo de pessoas ligadas aos ministros. No entanto, nenhum deles pôde ser apreciado nas últimas semanas por falta de convocação da comissão.
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Entre os requerimentos parados na CPI estão pedidos de investigação sobre os irmãos de Dias Toffoli, ex-proprietários do resort Tayayá, e sobre Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com informações levantadas no âmbito do caso Master, os irmãos de Toffoli teriam recebido recursos de Fabiano Zettel, alvo de investigações da Polícia Federal, em uma negociação envolvendo o resort frequentado pelo ministro. Já a esposa de Moraes firmou um contrato no valor de R$ 129 milhões com o grupo investigado.
A paralisação dos trabalhos ocorre porque o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), não convocou sessões do colegiado, mesmo após a Presidência do Senado autorizar a realização de reuniões semipresenciais no período que antecede o Carnaval.
Com a decisão de não reunir os membros da comissão, os requerimentos seguem sem análise. Procurado, o senador Fabiano Contarato não se manifestou sobre o motivo da ausência de convocações.
Esta é a segunda semana consecutiva sem reuniões da CPI. Na semana anterior, estava prevista a oitiva dos governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, mas a sessão também não foi realizada.
Parlamentares que acompanham de perto os trabalhos da CPI avaliam que há uma tentativa de esfriar o caso. Segundo relatos feitos sob reserva, estaria em curso uma “operação abafa” para impedir o avanço das investigações relacionadas ao caso Master.
A leitura de integrantes da comissão é de que, mesmo se os requerimentos forem pautados futuramente, haverá dificuldades para aprovação. A CPI é presidida por um senador do PT e conta com integrantes do centrão, o que torna o cenário incerto. Embora, em tese, exista maioria para aprovar os pedidos, articulações internas podem levar à rejeição ou ao esvaziamento das votações.
Até o momento, a CPI do Crime Organizado ainda não enfrentou requerimentos considerados sensíveis, o que aumenta a expectativa sobre como o colegiado irá se posicionar quando as matérias forem finalmente colocadas em pauta.
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