

Insegurança econômica, carga tributária elevada e busca por previsibilidade jurídica impulsionam internacionalização de empresas brasileiras | Foto: reprodução
12 de março de 2026 – Transformações institucionais, carga tributária elevada e busca por previsibilidade jurídica têm levado empresários brasileiros a internacionalizar suas atividades.
Este artigo analisa as transformações recentes no ambiente empresarial brasileiro e seus reflexos diretos na advocacia. Observa-se um movimento crescente de empresários transferindo empresas, investimentos e até residência fiscal para outros países, especialmente na Europa e no Paraguai, em busca de menor carga tributária, maior segurança jurídica e previsibilidade institucional. O fenômeno impacta diretamente a atuação de advogados empresariais no Brasil, exigindo adaptação a estruturas jurídicas internacionais.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
Nos últimos anos, a advocacia empresarial brasileira tem enfrentado mudanças relevantes decorrentes das transformações econômicas e institucionais que afetam o ambiente de negócios no país.
Escritórios jurídicos têm percebido uma alteração significativa no comportamento de seus clientes, especialmente empresários que passaram a considerar alternativas fora do Brasil para a instalação de empresas, estruturas operacionais e até residência fiscal.
Esse movimento tem provocado uma reorganização no próprio mercado jurídico. Muitos advogados que antes atuavam exclusivamente com estruturas nacionais passaram a lidar com temas relacionados à internacionalização empresarial, planejamento tributário internacional e abertura de empresas em outros países.
A internacionalização de empresas brasileiras não é um fenômeno novo. Contudo, nos últimos anos esse movimento tem se intensificado.
Empresários buscam ambientes institucionais mais previsíveis, sistemas tributários menos complexos e maior estabilidade regulatória.
Antes mesmo de mudanças no cenário econômico internacional, como medidas tarifárias adotadas em determinados momentos pelo governo dos Estados Unidos durante a presidência de Donald Trump, já se observava uma tendência gradual de expansão de empresas brasileiras para outros mercados.
Entre os destinos que mais têm atraído empresários brasileiros está o Paraguai. O país apresenta um regime tributário significativamente mais competitivo em comparação com o Brasil, além de processos relativamente mais simples para abertura de empresas e obtenção de residência por investidores estrangeiros.
Muitos empresários brasileiros passaram a estabelecer estruturas administrativas, escritórios e centros logísticos naquele país, mantendo parte das operações comerciais voltadas ao mercado brasileiro.
Comparação simplificada de carga tributária empresarial
País Carga Tributária Empresarial Média Observações
Brasil 30% a 40% Sistema tributário complexo com múltiplos tributos
Paraguai Aproximadamente 10% Regime tributário simplificado
Alguns países da Europa 15% a 25% Maior estabilidade regulatória
O sistema tributário brasileiro é frequentemente apontado como um dos mais complexos do mundo. Empresas precisam lidar simultaneamente com tributos federais, estaduais e municipais, além de constantes mudanças legislativas e interpretações administrativas divergentes.
Essa estrutura gera custos elevados de conformidade fiscal e incertezas jurídicas que influenciam decisões empresariais de investimento e expansão.
Outro fator frequentemente mencionado em debates empresariais é a percepção sobre governança institucional, transparência e combate à corrupção.
Casos amplamente discutidos na mídia envolvendo contratos de grande valor e relações entre instituições financeiras e estruturas políticas acabam impactando a confiança de investidores.
Discussões envolvendo operações e contratos associados ao Banco Master, por exemplo, têm sido citadas em análises econômicas como parte de um cenário que ainda demanda avanços em termos de previsibilidade institucional e segurança econômica.
Esse cenário gera efeitos diretos na advocacia empresarial. Muitos advogados precisam adaptar sua atuação para lidar com estruturas jurídicas internacionais, abertura de empresas no exterior e planejamento tributário global.
Assim, a advocacia passa por um processo de transformação. Profissionais do direito precisam acompanhar a internacionalização das atividades empresariais e compreender diferentes sistemas jurídicos para continuar atendendo seus clientes de forma estratégica.
A internacionalização de empresas brasileiras reflete tanto as oportunidades da economia global quanto os desafios estruturais internos do país.
Quando empresários buscam fora do Brasil maior segurança jurídica, estabilidade regulatória e eficiência tributária, o fenômeno inevitavelmente impacta também o mercado jurídico.
Para a advocacia, o momento exige adaptação, visão internacional e compreensão das novas dinâmicas do ambiente empresarial contemporâneo.
Eduardo Sobral Monte e Silva é advogado inscrito na OAB/CE sob o nº 15.815. Atua na área jurídica com experiência em questões empresariais, estratégicas e institucionais, acompanhando de perto as transformações do ambiente econômico e seus reflexos no exercício da advocacia.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Terra da Luz. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, ou um outro artigo com suas ideias, envie sua sugestão de texto para portalterradaluz.
Leia também | Mulheres ampliam presença na bolsa
