

Investigação das autoridades canadenses aponta que ex-piloto da Air Canada teria comandado cerca de 900 voos utilizando licença falsificada. | Foto: Wikimedia
09 de junho de 2026 – Um ex-piloto da Air Canada está sendo acusado pelas autoridades do Canadá de ter comandado voos comerciais durante 17 anos utilizando uma licença de pilotagem falsificada. O caso envolve Geoffrey Wall, de 59 anos, que teria realizado aproximadamente 900 voos nacionais e internacionais sem possuir a certificação exigida para atuar como comandante de aeronaves.
Segundo a Polícia Regional de Peel, na região de Toronto, Wall utilizava documentos fraudulentos desde 2009, quando foi promovido ao cargo de capitão. Para exercer a função no país, é obrigatória a obtenção da Licença de Piloto de Linha Aérea (ATPL, na sigla em inglês), concedida após uma série de exames técnicos, avaliações práticas e requisitos específicos.
As autoridades classificaram o episódio como um caso incomum e de grande repercussão.
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A irregularidade veio à tona após uma verificação de rotina realizada no Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, durante uma auditoria aleatória de certificações conduzida pelas autoridades aeronáuticas.
Durante a análise, foram identificadas inconsistências nos documentos apresentados pelo piloto, levando o Transport Canada, órgão federal responsável pela regulamentação dos transportes no país, a abrir uma investigação.
Batizada de “Projeto Ícaro”, a operação envolveu cumprimento de mandados de busca, análise documental e cruzamento de informações relacionadas à carreira profissional do piloto.
Ao final da apuração, os investigadores concluíram que a licença apresentada por Wall era falsificada.
O vice-chefe da Polícia Regional de Peel, Nick Milinovich, comparou a situação a um médico que possui autorização para atuar como clínico geral, mas decide realizar procedimentos altamente especializados sem a formação necessária.
“As exigências de licenciamento existem por um motivo. Elas existem para manter as pessoas seguras”, afirmou Milinovich.
De acordo com os investigadores, Geoffrey Wall acumulou milhões de dólares em salários ao longo dos anos em que teria atuado sem a certificação adequada para o cargo.
Wall foi preso e indiciado por sete crimes, incluindo:
Após prestar depoimento, ele foi liberado e deverá retornar ao tribunal ainda neste mês para dar continuidade ao processo judicial.
Em comunicado oficial, a Air Canada informou que Geoffrey Wall trabalhava na empresa desde 1998 e foi imediatamente afastado após a descoberta das irregularidades.
A companhia aérea também confirmou que comunicou voluntariamente o caso ao Ministério dos Transportes do Canadá.
Segundo a empresa, a segurança operacional não foi comprometida, uma vez que todos os pilotos da companhia passam por treinamentos obrigatórios de atualização a cada seis meses, além de avaliações regulares de competência técnica.
“A licença adequada é uma camada essencial da abordagem de segurança da indústria aérea. A Air Canada trata esse assunto com a máxima seriedade”, declarou a companhia.
A empresa informou ainda que realizou uma auditoria interna após a descoberta do caso e não encontrou indícios de outras irregularidades envolvendo pilotos da frota.
Questionado sobre como a suposta fraude permaneceu sem ser detectada por quase duas décadas, o vice-chefe da polícia afirmou que golpes dessa natureza podem persistir durante anos.
“Alguns fraudadores se tornam muito bons em enganar. Não é incomum que uma fraude continue por muito tempo antes de ser descoberta”, explicou Nick Milinovich.
O caso segue sob investigação e tem chamado a atenção das autoridades de aviação civil e do setor aéreo internacional devido ao longo período em que o piloto teria atuado utilizando documentação irregular.
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