

"Quando os pilotos lançam as sementes, é como se cada uma delas levasse um pouco do nosso cuidado com a natureza" | Foto: Hermann Hesse/Portal Terra da Luz
16 de junho de 2026 – Uma ação simples, de baixo custo e com grande potencial de impacto ambiental transformou estudantes, pilotos de parapente e lideranças comunitárias em agentes da preservação ambiental na Serra da Ibiapaba. O Projeto de Reflorestamento Sustentável da Chapada da Ibiapaba, realizado durante a primeira etapa do Campeonato Cearense de Voo Livre 2026, mostrou que o combate à degradação ambiental pode começar dentro da sala de aula e ganhar os céus por meio do voluntariado e da participação comunitária.
A iniciativa utilizou a técnica japonesa Nendo Dango, conhecida popularmente como “bombas de sementes”, para promover o lançamento aéreo de espécies nativas em áreas de difícil acesso da Serra da Ibiapaba. O projeto reuniu alunos da rede pública de ensino, professores, agricultores, pilotos de voo livre e lideranças locais em uma corrente de conscientização ambiental que pode servir de exemplo para outros municípios cearenses.
O primeiro passo da ação aconteceu na Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maria Anir Azevedo, localizada no Distrito de Acarape, em Tianguá. Os estudantes participaram da preparação das sementes que posteriormente foram lançadas pelos pilotos durante os voos realizados no Sítio do Bosco Park.
A atividade contou com o apoio da diretora da unidade, professora Lurdinha, e envolveu alunos participantes do Projeto Agrinho, programa desenvolvido pelo Sistema FAEP/SENAR, que há três décadas promove ações voltadas à sustentabilidade, cidadania e educação ambiental.
A professora Ana Fábia, uma das responsáveis pela atividade, destacou que a simplicidade da técnica permite que ela seja facilmente reproduzida em escolas e comunidades de todo o Ceará.
“Pegamos a ideia de criar bombas de sementes. Usamos sementes de jatobá, que é uma árvore nativa da nossa região. As bombas foram feitas com barro, argila, adubo orgânico e, além da semente de jatobá, adicionamos uma semente de milho que cresce rápido e ajuda a enraizar melhor a semente do jatobá”, explicou.
Segundo a educadora, o envolvimento dos estudantes despertou um sentimento de pertencimento e responsabilidade ambiental.
“As crianças entenderam que pequenas ações podem gerar grandes transformações. Muitos alunos chegaram em casa falando sobre reflorestamento e explicando para os pais como as sementes poderiam ajudar a recuperar áreas da nossa serra. Esse é um aprendizado que vai muito além da sala de aula”, acrescentou.
A estudante Nicilane Silva participou da preparação das sementes e acompanhou de perto o desenvolvimento do projeto.
“Os pilotos soltam as sementes em locais de difícil acesso para que elas se espalhem, cresçam e o nosso planeta fique melhor”, afirmou.
Para a jovem, a experiência representou uma oportunidade de contribuir diretamente para a preservação da natureza.
“Foi muito legal saber que a gente estava ajudando a plantar árvores mesmo sem precisar ir até os lugares mais difíceis da serra. Quando os pilotos lançam as sementes, é como se cada uma delas levasse um pouco do nosso cuidado com a natureza”, disse.
O método Nendo Dango foi desenvolvido pelo agricultor e filósofo japonês Masanobu Fukuoka e consiste em envolver sementes em pequenas esferas feitas de argila, terra e matéria orgânica. As bolas são lançadas sobre o solo e permanecem protegidas até serem ativadas naturalmente pela chuva.
Além da simplicidade de execução, a técnica apresenta baixo custo e pode ser utilizada em áreas rurais, escolas, comunidades, parques urbanos e regiões degradadas.
Especialistas apontam que o método tem sido utilizado em diversos países para recuperação ambiental, principalmente em áreas de difícil acesso.
Na avaliação dos organizadores, a experiência realizada em Tianguá demonstra que qualquer município pode desenvolver ações semelhantes envolvendo escolas, associações comunitárias e voluntários.
Durante o Campeonato Cearense de Voo Livre, cerca de 40 atletas participaram da ação ambiental e lançaram as bombas de sementes sobre áreas estratégicas da Serra da Ibiapaba.
O diretor de prova e piloto Francisco Rogério Evaristo da Costa destacou a conexão histórica entre o voo livre e a preservação ambiental.
“Os pilotos sempre voam em sintonia com a natureza. E a gente dá essa forcinha pra ela e ela retribui a gente com ótimas condições pra gente fazer bons voos”, afirmou.
Segundo ele, a iniciativa trouxe um significado ainda maior para a competição.
“Voar já é uma experiência extraordinária. Saber que durante o voo estamos contribuindo para recuperar áreas da nossa serra torna tudo ainda mais especial. É um exemplo que pode ser levado para outros campeonatos e para outras regiões do Brasil”, destacou.
O sucesso da ação despertou o interesse de lideranças locais e educadores, que já defendem a ampliação do projeto para outros municípios da Serra da Ibiapaba e do Ceará.
A expectativa é que a metodologia seja incorporada em projetos de educação ambiental, campanhas de arborização e iniciativas de recuperação de áreas degradadas.
Ao unir escola, comunidade, esporte e sustentabilidade, o projeto mostrou que preservar a natureza pode ser uma tarefa coletiva, acessível e capaz de mobilizar pessoas de todas as idades.
Mais do que lançar sementes do céu, os participantes ajudaram a plantar consciência ambiental e esperança para as futuras gerações.
Leia também | Pilotos de parapente atuam como agentes de reflorestamento no Ceará
Tags: reflorestamento, Serra da Ibiapaba, Nendo Dango, bombas de sementes, Tianguá, educação ambiental, sustentabilidade, meio ambiente, Projeto Agrinho, parapente, voo livre, Campeonato Cearense de Voo Livre, Francisco Rogério, Ana Fábia, Nicilane Silva, Escola Maria Anir Azevedo, Distrito de Acarape, biodiversidade, árvores nativas, jatobá, agricultura sustentável, preservação ambiental, turismo ecológico, turismo sustentável, estudantes de Tianguá, voluntariado ambiental, Chapada da Ibiapaba, Portal Terra Da Luz, Platinum Comunicação, Assembleia Legislativa do Ceará, Alece, Romeu Aldigueri, Hermann Hesse, Olavo Bilac Loiola, Parque Nacional de Ubajara, Ceará sustentável, educação e meio ambiente, recuperação ambiental, cidadania ambiental, conservação da natureza.