

Sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, onde tramita a investigação sobre acessos ilegais a dados fiscais de ministros e familiares | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
17 de fevereiro de 2026 – O Supremo Tribunal Federal informou nesta terça-feira (17) que investigações iniciais identificaram “diversos e múltiplos acessos ilegais” ao sistema da Receita Federal do Brasil para obtenção de dados sigilosos de ministros da Corte, do procurador-geral da República e de seus familiares. Segundo o STF, também houve repasse dessas informações a terceiros.
A informação consta em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social do Supremo, com base em parecer da Procuradoria-Geral da República enviado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. No documento, o procurador-geral Paulo Gonet afirma que os dados foram explorados de forma “fragmentada e seletiva” para produzir “suspeitas artificiais” contra autoridades públicas.
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De acordo com o STF, os acessos ilegais teriam sido realizados por servidores da Receita Federal identificados como Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Eles deverão prestar depoimento à Polícia Federal, que dará continuidade às investigações.
Com o avanço das apurações, Alexandre de Moraes determinou uma série de medidas cautelares contra os investigados, incluindo afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático, recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, uso de tornozeleira eletrônica, afastamento imediato do exercício da função pública, proibição de saída do país e cancelamento de passaportes.
Nesta terça-feira, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação teve como base relatório encaminhado pela Receita Federal ao STF, que confirmou a existência de desvios no acesso a dados fiscais durante auditoria interna.
Em nota, a Receita Federal reiterou que não tolera desvios, especialmente os relacionados ao sigilo fiscal, considerado um dos pilares do sistema tributário. O órgão informou que, inicialmente, não há indícios claros de motivação política, mas reconheceu limitações institucionais para aprofundar a investigação, agora conduzida pela Polícia Federal com autorização do Supremo.
Entre os alvos do vazamento estaria a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O caso está inserido no Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news, instaurado em 2019 durante a presidência do STF pelo ministro Dias Toffoli, que designou Moraes como relator.
O Supremo destacou que as investigações continuam em andamento e que os depoimentos dos investigados serão fundamentais para esclarecer a motivação e a extensão dos vazamentos de dados sigilosos.
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STF, Supremo Tribunal Federal, Receita Federal, vazamento de dados, sigilo fiscal, Polícia Federal, Alexandre de Moraes, PGR, Paulo Gonet, inquérito das fake news, investigação federal, Justiça brasileira, dados sigilosos, instituições democráticas, Portal Terra Da Luz