

O aparelho contém informações que servem de base para o julgamento marcado para esta terça-feira (15). | Foto: Luiz Silveira/STF
14 de setembro de 2026 – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu neste domingo (13) ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o envio de uma cópia integral do celular do empresário Daniel Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.
O aparelho contém informações que servem de base para o julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando os ministros deverão analisar a validade de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas por Vorcaro e que envolvem o ministro Alexandre de Moraes.
Gilmar Mendes afirmou que o pedido não representa uma abertura do sigilo do conteúdo. Segundo o ministro, o material continuará submetido a regras rigorosas de restrição.
“O material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete, nos mesmos termos do acesso de que dispõe o Relator desde 8 de março de 2026. O que se pede não é divulgação, mas apenas acesso interno, por quem está submetido ao mesmo dever de sigilo que vincula o Relator e a própria autoridade policial”, afirmou.
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O celular mencionado por Gilmar é um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.
O ministro argumentou que o acesso ao conteúdo completo é necessário para que os integrantes do STF possam avaliar a integralidade das informações utilizadas na elaboração do relatório.
“Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção”, declarou Gilmar Mendes.
Mais cedo, o ministro Cristiano Zanin havia determinado que a Polícia Federal entregasse, até as 23h deste domingo (13), uma cópia integral do conteúdo do celular de Vorcaro.
A determinação de Zanin ocorreu após o ministro André Mendonça encaminhar um ofício em que afirmou que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído do aparelho “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e poderia colocar “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
Mendonça sustentou que os ministros já teriam acesso ao material necessário para a análise prevista para terça-feira.
Gilmar, por outro lado, afirmou ter tomado conhecimento da decisão de Zanin e defendeu que os demais integrantes do colegiado tenham acesso às informações utilizadas para fundamentar a decisão que será submetida ao plenário.
“É prerrogativa dos demais membros do Tribunal acessar aquilo que fundamenta a decisão que lhes cabe proferir”, afirmou.
A decisão de Zanin aumentou a tensão entre os ministros do STF a dois dias da sessão que deverá analisar o relatório da PF sobre as mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes.
Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin vinham defendendo o acesso ao espelhamento completo do aparelho como forma de permitir uma análise mais ampla do contexto das mensagens antes da deliberação do plenário.
No despacho encaminhado à Polícia Federal, Zanin rebateu a posição de Mendonça e afirmou que não existe “hierarquia entre os ministros do STF”.
O ministro também declarou que as provas pertencem ao plenário da Corte e aos seus integrantes, e não exclusivamente a um ministro.
Zanin acrescentou que a própria Polícia Federal informou ter condições de fornecer cópias do conteúdo aos gabinetes do Supremo sem comprometer a cadeia de custódia das provas.
O ministro também lembrou que o material já havia sido disponibilizado aos advogados de Daniel Vorcaro.
Segundo Zanin, o acesso integral é necessário para que possa formar sua convicção antes do julgamento. Ele afirmou que “não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações”, considerando que todos estão submetidos ao dever de sigilo e ao exercício das funções com imparcialidade e independência.
Ao final do despacho, Zanin ressaltou que a determinação de entrega do conteúdo até as 23h de domingo não impede que outros gabinetes façam pedidos semelhantes para obter os mesmos dados.
O presidente do STF, Edson Fachin, convocou o plenário para esta terça-feira (15) para analisar o relatório da Polícia Federal que apontou mensagens de Daniel Vorcaro relacionadas a Alexandre de Moraes.
Os ministros deverão discutir a validade do documento produzido a partir de uma determinação de André Mendonça. Parte dos integrantes da Corte questiona a iniciativa do ministro por considerar que a investigação envolvendo um colega deveria ter sido autorizada pelo plenário.
O caso é considerado inédito no STF e provocou articulações nos bastidores sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.
Até o momento, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como mais alinhados à posição de Moraes. Mendonça, por sua vez, teria apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
As posições de Fachin e Cármen Lúcia ainda são consideradas menos previsíveis, com os dois ministros sendo alvo de articulações de ambos os lados.
Dias Toffoli também poderá não participar do julgamento. O ministro deixou a relatoria das investigações relacionadas ao caso Master e teria indicado a colegas que a tendência é não votar em eventuais desdobramentos por ter se declarado suspeito.
Existe, porém, a avaliação de que Toffoli poderia participar caso a discussão fique restrita a questões processuais relacionadas à forma de investigação de um integrante do STF.
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