

A Operação Make Up investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. | Foto: divulgação
10 de setembro de 2026 – A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (10), uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teria relação com o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Batizada de Operação Make Up, a ação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não há mandados de prisão.
Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Duas entidades ligadas à produtora também são alvo das buscas: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava inicialmente em São Paulo, foi encaminhado ao Supremo.
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Segundo a investigação, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos públicos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de maneira irregular.
A PF afirma que busca esclarecer se os serviços contratados foram efetivamente prestados e aponta a existência de movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que teriam ligação com o esquema.
Ainda de acordo com os investigadores, as supostas tentativas de ocultar os recursos teriam continuado até julho de 2026.
A apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
Existem duas investigações em andamento no Supremo relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.
O inquérito sob responsabilidade de Flávio Dino apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos que teriam chegado a entidades e empresas ligadas à produção do filme.
Outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, investiga repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), além do caminho percorrido pelo dinheiro.
Na quarta-feira (9), André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele é proprietário da Entre Investimentos, empresa que teria realizado, a mando de Daniel Vorcaro, repasses relacionados ao filme.
Segundo informações da delação, apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR), Mineiro afirmou ter realizado sete transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, por meio de subscrições de cotas.
As operações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Considerando a cotação de setembro daquele ano, o montante correspondia a aproximadamente R$ 62,8 milhões.
O empresário também declarou que inicialmente havia recebido de Vorcaro a solicitação para enviar cerca de US$ 24 milhões ao exterior, em mais de dez operações. Ao final, foram realizadas sete transações.
“Entre o final de 2024 e início de 2025, Antonio Carlos foi contatado por Daniel Vorcaro, por WhatsApp, com a solicitação de envio de valores ao exterior por meio da subscrição de cotas desse fundo pela Entre Investimentos. Até esse momento, Antonio Carlos desconhecia o fundo em questão”, afirmou o empresário, segundo informações divulgadas pelo blog.
“A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026”, relatou.
Mineiro entregou às autoridades comprovantes das transferências e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate e advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A Polícia Federal também apura se todo o dinheiro transferido para o fundo foi efetivamente utilizado no financiamento de “Dark Horse”, conforme sustentam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up.
Os investigadores também analisam a possibilidade de parte dos recursos ter sido utilizada para outras finalidades, incluindo eventual financiamento de despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Em maio, o site Intercept Brasil divulgou mensagens e um áudio nos quais Flávio Bolsonaro cobraria de Daniel Vorcaro recursos para financiar a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Vorcaro teria realizado pagamentos de pelo menos R$ 61 milhões em 2025.
As informações divulgadas apontaram ainda que os recursos teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
A investigação busca esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos valores, além de verificar eventual participação de agentes públicos e privados no suposto esquema.
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