

Preço de cortes bovinos como picanha e alcatra registra queda nos supermercados, segundo levantamento da Apas em parceria com a Fipe | Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
27 de julho de 2026 – Os consumidores já começam a encontrar alguns cortes de carne bovina com preços mais baixos nos supermercados paulistas. Dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram queda em cortes como alcatra, picanha, filé mignon e coxão duro no mês de junho.
Segundo o levantamento, a alcatra registrou recuo de 1,12%, seguida pela picanha, com queda de 0,55%. O filé mignon teve baixa de 0,54%, enquanto o coxão duro caiu 0,49%.
Apesar de a redução ainda estar concentrada em cortes específicos, a expectativa do setor é de que o movimento ganhe força ao longo dos próximos meses.
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A tendência de queda está relacionada ao aumento da disponibilidade de carne bovina no mercado interno.
De acordo com cálculos da consultoria Safras & Mercado, com base na evolução dos embarques e nos dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil já ultrapassou a cota anual de exportação de carne bovina destinada ao mercado chinês.
Entre janeiro e 30 de junho, o país enviou aos chineses volume equivalente a 100,06% da cota anual da proteína animal.
Com isso, os embarques que excederem o limite passam a ser tributados, o que pode reduzir temporariamente as exportações para a China e ampliar a oferta de carne no Brasil até a renovação da cota, prevista para janeiro.
A China é um dos principais destinos da carne bovina brasileira. Por isso, mudanças nas regras de importação do país asiático têm impacto direto sobre a dinâmica do setor no Brasil.
Com maior tributação sobre volumes que ultrapassam a cota anual, parte da carne que seria destinada ao mercado chinês pode ser redirecionada para o consumo interno ou para outros destinos internacionais.
Para o consumidor brasileiro, esse cenário pode representar maior oferta nas prateleiras e possibilidade de novos recuos nos preços.
Para o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, as mudanças nas regras de importações chinesas e no comércio global podem reforçar a tendência de queda no segundo semestre.
“A tendência é que haja uma oferta maior no mercado doméstico. Parte desse volume pode até ser direcionada para outros mercados, mas, diante do cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo e das dificuldades comerciais, inclusive com os Estados Unidos, a expectativa é que uma parcela significativa permaneça no Brasil. Em dois ou três meses, esse movimento deve começar a aparecer de forma mais evidente nos preços pagos pelo consumidor”, disse Felipe Queiroz ao CNN Agro.
A avaliação indica que o efeito sobre os preços pode ser gradual, com maior impacto sentido pelo consumidor nos próximos meses.
Apesar da expectativa positiva para o consumidor, Felipe Queiroz destaca que a desaceleração dos preços não é explicada apenas pela maior oferta de carne.
Segundo ele, o movimento reflete uma combinação de fatores, incluindo custos de produção e variações cambiais.
“Observamos queda em alguns cortes específicos, mas, de modo geral, o preço agregado das carnes tem aumentado em ritmo menor do que no passado. Isso decorre da combinação de alguns fatores. O primeiro é o aumento da oferta. O segundo está relacionado ao custo de produção, já que alguns insumos ficaram mais baratos diante da tendência de queda da taxa de câmbio”, afirmou Felipe Queiroz.
Outro fator apontado pelo economista é a melhora das pastagens, que reduziu os custos com alimentação bovina.
Com menor pressão sobre os custos de produção, alguns cortes passaram a subir menos, enquanto outros já entraram em trajetória de queda.
Esse cenário ajuda a explicar por que a redução aparece primeiro em cortes específicos, como alcatra, picanha, filé mignon e coxão duro.
A depender da oferta, do comportamento das exportações e das condições de produção, novos cortes podem apresentar desaceleração ou queda nos próximos meses.
O setor supermercadista avalia que o segundo semestre poderá trazer um alívio maior ao consumidor, especialmente se parte da carne que seria exportada permanecer no mercado brasileiro.
No entanto, o comportamento dos preços ainda dependerá do câmbio, da demanda internacional, dos custos de produção e das negociações comerciais com grandes compradores.
Mesmo assim, os primeiros sinais de queda em cortes tradicionais já indicam uma mudança no ritmo de preços da carne bovina no varejo.
Índice: Índice de Preços dos Supermercados (IPS)
Elaboração: Associação Paulista de Supermercados (Apas) e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)
Período analisado: junho de 2026
Cortes com queda: alcatra, picanha, filé mignon e coxão duro
Alcatra: -1,12%
Picanha: -0,55%
Filé mignon: -0,54%
Coxão duro: -0,49%
Fatores apontados: maior oferta, mudanças nas importações chinesas, custos de produção menores, câmbio e melhora das pastagens
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Tags: Carne bovina, preço da carne, picanha, alcatra, filé mignon, coxão duro, supermercados, Apas, Associação Paulista de Supermercados, Fipe, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Índice de Preços dos Supermercados, IPS, Safras & Mercado, Secex, Secretaria de Comércio Exterior, China, exportação de carne bovina, mercado interno, pecuária brasileira, agronegócio, inflação dos alimentos, custo de produção, taxa de câmbio, pastagens, consumo das famílias, economia, CNN Agro, Portal Terra Da Luz