

Plataforma de petróleo em operação no Brasil simboliza a relevância do setor de óleo e gás em meio à alta internacional dos preços da energia | Foto: Agência Brasil
28 de fevereiro de 2026 – A escalada militar envolvendo o Irã reacendeu o temor de um novo choque global de energia, semelhante ao registrado em 2022 com a guerra na Ucrânia. Desta vez, no entanto, analistas avaliam que o impacto pode ser ainda mais direto sobre o mercado de petróleo, devido à relevância estratégica do Golfo Pérsico para o abastecimento mundial.
Embora o cenário seja grave do ponto de vista geopolítico, especialistas enxergam efeitos potencialmente positivos para o Brasil, sobretudo para o setor petrolífero e para o mercado de câmbio.
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Segundo Flávio Gualter Inácio Inocêncio, diretor da Helios Advisory, a situação no Oriente Médio é preocupante e pode provocar forte disparada nos preços do barril. A principal ameaça, de acordo com o analista, seria um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.
Mesmo que países do Golfo tentem elevar a produção, a logística de exportação ficaria comprometida sem a liberação da rota. O cenário é ainda mais sensível porque o Irã integra a Opep+, cujas decisões dependem de consenso, o que pode limitar uma resposta coordenada do cartel.
Em caso de bloqueio prolongado, o barril poderia ultrapassar a marca de US$ 130, enquanto conflitos de curta duração tenderiam a gerar altas temporárias, seguidas de acomodação nos preços.
O choque energético tende a se espalhar para outros mercados. Analistas apontam que o gás natural pode ser um dos mais afetados, em razão do efeito de substituição, além de possíveis altas em commodities minerais e pressões sobre custos logísticos e alimentos.
Historicamente, momentos de tensão no setor energético elevam a volatilidade e alimentam movimentos especulativos nos mercados internacionais.
Para o Brasil, o cenário pode ser favorável. Com produção próxima de 3,7 milhões de barris por dia, o país ganha relevância como fornecedor fora do eixo direto do conflito. Empresas como a Petrobras tendem a ampliar receitas e margens em um ambiente de preços elevados.
O aumento das exportações de petróleo pode fortalecer o superávit comercial brasileiro, melhorar os termos de troca e ampliar a entrada de dólares no país, reforçando a posição externa da economia.
O economista Robin Brooks, ex-economista-chefe do Institute of International Finance, avalia que o atual movimento do câmbio é diferente do observado em 2022. Naquele período, a valorização do real ocorreu como resposta direta ao choque de commodities.
Agora, segundo ele, há dois vetores simultâneos: o enfraquecimento global do dólar frente a moedas emergentes e a subvalorização histórica do real desde a pandemia. Mesmo com a melhora consistente do setor externo brasileiro, a moeda não retornou aos níveis considerados compatíveis com seus fundamentos.
Nesse contexto, um novo choque positivo nos termos de troca — caso o petróleo siga em alta por causa da crise no Irã — funcionaria como catalisador adicional para a valorização cambial.
Apesar das vantagens para o setor petrolífero e para a balança comercial, especialistas alertam para impactos internos. Como o Brasil não mantém subsídios amplos aos combustíveis, a alta internacional tende a ser repassada aos preços domésticos, pressionando inflação, custos de transporte e atividade econômica.
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Tags: Portal Terra Da Luz, setor petrolífero brasileiro, petróleo, economia brasileira, Irã, crise no Oriente Médio, Estreito de Ormuz, Opep+, Petrobras, mercado de câmbio, real, commodities, energia, geopolítica, inflação