

Área rural em Tabuleiro do Norte passou a ser analisada após descoberta de petróleo cru durante perfuração de poço. | Foto: Marcelo Andrade/IFCE
26 de maio de 2026 – A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou a presença de petróleo cru em uma propriedade rural localizada no Sítio Santo Estêvão, em Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, interior do Ceará.
O material foi encontrado pelo agricultor Sidrônio Moreira durante a perfuração de um poço artesiano. Ele investiu cerca de R$ 15 mil, incluindo empréstimos, na tentativa de encontrar água na propriedade, mas acabou descobrindo petróleo a aproximadamente 30 metros de profundidade.
Segundo relatório laboratorial encaminhado à família, a substância é classificada como petróleo pesado, formada por “mistura majoritária de hidrocarbonetos” com presença de níquel e vanádio.
“Peguei o dinheiro da aposentadoria, fiz empréstimo e mandei cavar. Mas não saiu água. Saiu foi esse material”, relatou Sidrônio.
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Após a primeira ocorrência, uma nova tentativa de perfuração, realizada a cerca de 50 metros do ponto inicial, apresentou o mesmo resultado, aumentando o interesse técnico e científico sobre a área.
A família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE) em novembro de 2024 para analisar o material viscoso, escuro e com odor semelhante ao de óleo automotivo.
Em julho de 2025, o IFCE acionou o Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (NPCO2/Ufersa), responsável pelas análises complementares. Conforme prevê a legislação, a descoberta foi oficialmente comunicada à ANP.
Em março deste ano, equipes da ANP e da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Semace) estiveram na propriedade orientando a família sobre riscos ambientais e recomendando o isolamento da área.
O engenheiro químico Adriano Lima, do IFCE, afirmou que a substância encontrada possui características semelhantes ao petróleo extraído na região onshore da Bacia Potiguar, importante polo produtor localizado entre Ceará e Rio Grande do Norte.
A descoberta chamou atenção principalmente pela baixa profundidade em que o petróleo foi encontrado, situação considerada incomum na região do Vale do Jaguaribe.
A ANP abriu processo administrativo para avaliar o potencial geológico da área e analisar a possibilidade de inclusão do território em futuros blocos exploratórios da Oferta Permanente de Concessão.
Segundo Saullo Moreira, filho do agricultor, os próximos passos envolvem estudos técnicos mais detalhados.
“Agora será necessário realizar estudos geológicos, avaliar tecnicamente a área e, posteriormente, poderá haver a abertura de um bloco exploratório”, afirmou.
Apesar da descoberta, a legislação brasileira estabelece que os recursos minerais do subsolo pertencem à União, conforme previsto na Constituição Federal e na Lei nº 9.478/1997.
Isso significa que Sidrônio Moreira não se torna proprietário do petróleo encontrado. No entanto, caso a exploração comercial seja autorizada futuramente, ele poderá receber participação financeira entre 0,5% e 1% do valor da produção realizada na área.
Além disso, o proprietário pode ter direito a indenizações relacionadas ao uso da terra, desapropriações ou instalação de estruturas de exploração.
A viabilidade econômica da produção ainda depende de estudos sobre volume do reservatório, qualidade do óleo, custos de extração e impactos ambientais.
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