

Lula e Donald Trump discutem proposta de acordo estratégico para exploração e processamento de minerais críticos. | Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
07 de maio de 2026 – O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode destravar as negociações em torno de um acordo de minerais críticos proposto pelos americanos ao Brasil ainda em fevereiro.
O tema integra a pauta da reunião entre os dois chefes de Estado, marcada para esta quinta-feira (7). Apesar da expectativa em torno das tratativas, fontes dos dois governos ouvidas pela CNN afirmam que não há previsão de assinatura imediata do acordo.
Segundo interlocutores envolvidos nas negociações, um eventual memorando dessa magnitude só poderia ser formalizado em uma reunião oficial entre os presidentes.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A conversa entre Lula e Trump ocorre um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a política nacional dos minerais críticos e estratégicos.
O texto aprovado cria instrumentos para estimular o beneficiamento, a industrialização e a agregação de valor aos minerais produzidos no Brasil.
A proposta também prevê mecanismos de coordenação federal sobre projetos considerados estratégicos, incluindo a criação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).
O colegiado terá papel central na definição de prioridades e homologação de operações ligadas aos ativos minerais considerados estratégicos para o país.
A versão final do projeto retirou a exigência de anuência prévia do Executivo sobre operações societárias, após pressão do setor privado e de integrantes do próprio governo.
Apesar da aprovação na Câmara, o projeto ainda será analisado pelo Senado Federal.
Trechos da proposta enviada pelos Estados Unidos ao Brasil em fevereiro preveem financiamento para refinarias e capacidade de processamento em território brasileiro, além de transferência de tecnologia e mecanismos para fortalecer as cadeias de suprimento de minerais críticos.
O modelo é semelhante ao acordo firmado entre Estados Unidos e Austrália, considerado referência no setor mineral, embora com diferenças importantes.
Uma ala do governo federal avalia que o documento possui caráter “genérico”, reunindo pontos presentes em outros acordos internacionais. Representantes americanos, porém, afirmam que negociações do setor seguem padrões semelhantes em diversos países.
Outro ponto que gerou debate no governo brasileiro envolve um trecho interpretado por integrantes do Planalto como possível cláusula de exclusividade para investidores americanos.
Os representantes dos EUA negam essa interpretação e sustentam que o texto apenas estabelece prioridade de investimento dentro das legislações nacionais, sem impedir parcerias com outros países.
O acordo prevê cooperação para acelerar o fornecimento seguro de minerais considerados estratégicos para defesa, transição energética e tecnologias avançadas.
O texto também estabelece possibilidades de apoio financeiro por meio de empréstimos, garantias, participação acionária, seguros e facilitação regulatória para projetos de mineração e processamento no Brasil.
Outro trecho considerado sensível trata da expectativa de que americanos tenham “a primeira oportunidade de investir” em projetos prioritários ligados aos minerais críticos.
Parte do governo brasileiro teme que o acordo possa ser interpretado como alinhamento à estratégia americana de reduzir a dependência da China nas cadeias produtivas do setor mineral.
A China é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil.
Além das questões econômicas e geopolíticas, integrantes do governo avaliam que o tema também possui impacto político interno. Interlocutores afirmam que a aproximação entre Lula e Trump pode gerar desgaste em meio ao cenário eleitoral brasileiro.
Um dos pontos considerados mais importantes da proposta trata da criação de mecanismos de proteção para os mercados domésticos de minerais críticos.
O texto prevê sistemas com preços mínimos ou instrumentos semelhantes para combater práticas consideradas desleais, como dumping internacional.
O setor mineral considera a medida estratégica para garantir previsibilidade e segurança em investimentos de longo prazo.
A proposta também inclui cooperação em mapeamento geológico, reciclagem de minerais e fortalecimento das cadeias globais de suprimento.
O memorando segue em análise no Palácio do Planalto e ainda não há previsão oficial para uma eventual assinatura.
Leia também | Prêmio ACI é relançado com foco na democracia
Tags: Lula, Donald Trump, acordo mineral, minerais críticos, Estados Unidos, Brasil, mineração, refinarias no Brasil, política mineral, Câmara dos Deputados, Senado Federal, CIMCE, China, economia brasileira, investimentos estrangeiros, diplomacia internacional, relações Brasil-EUA, minerais estratégicos, transição energética, mineração sustentável, indústria mineral, política internacional, Portal Terra da Luz, governo federal, acordo internacional, setor mineral brasileiro