

Teste de sangue pode revolucionar diagnóstico do Alzheimer | Foto: Louis Reed/ Unsplash
16 de outubro de 2025 — Cientistas brasileiros confirmaram o potencial de um exame de sangue para o diagnóstico do Alzheimer, destacando a proteína p-tau217 como biomarcador mais promissor para diferenciar indivíduos saudáveis de pacientes com a doença. O objetivo é tornar o teste disponível em larga escala pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, o diagnóstico da doença no Brasil é realizado por meio de exame de líquor, procedimento invasivo que exige punção lombar, ou por exame de imagem (tomografia). Antes disso, o diagnóstico dependia apenas da avaliação clínica feita por neurologistas, baseada nos sintomas apresentados pelos pacientes.
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O estudo, conduzido por 23 pesquisadores, incluindo oito brasileiros, analisou mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas. Testes realizados com 59 pacientes compararam os resultados do exame de sangue com o padrão ouro do líquor, atingindo mais de 90% de confiabilidade, padrão recomendado pela OMS. Pesquisas similares realizadas pelo Instituto D’Or e UFRJ reforçaram os mesmos resultados em outra região do país.
Segundo Eduardo Zimmer, da UFRGS, a implementação do exame no SUS enfrentará desafios logísticos e de infraestrutura, mas representa uma alternativa mais acessível frente aos custos elevados dos testes privados, que podem chegar a R$ 3,6 mil.
Os estudos também indicaram que baixa escolaridade aumenta o risco de declínio cognitivo. “O cérebro exposto à educação formal cria mais conexões, tornando-se mais resistente ao declínio cognitivo”, afirmou Zimmer.
Atualmente, cerca de 57 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de demência, das quais 60% têm Alzheimer. No Brasil, estimativas apontam 1,8 milhão de pessoas com a doença, número que pode triplicar até 2050.
Para inclusão no SUS, será necessário avaliar a performance do teste, definir a população beneficiada e estabelecer estratégias de logística e aplicação. Os estudos começarão com indivíduos a partir de 55 anos, visando identificar a fase pré-clínica da doença, antes do surgimento dos sintomas. Os resultados finais devem ser publicados em cerca de dois anos.
A pesquisa foi publicada na revista Molecular Psychiatry e teve revisão internacional publicada em Lancet Neurology em setembro, reforçando a importância do avanço brasileiro no diagnóstico precoce da doença.
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