

Ceará recebe 48 equipamentos para modernizar serviços de hemoterapia | Foto: reprodução
29 de novembro de 2025 — O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 6,5 milhões para modernizar a Hemorrede do Ceará, com a entrega de 48 novos equipamentos destinados a ampliar a capacidade de coleta, processamento e armazenamento de plasma. O reforço integra um pacote nacional de 604 aparelhos de alta tecnologia, financiados pelo Novo PAC Saúde, que somam R$ 116 milhões e devem gerar economia anual de R$ 260 milhões ao reduzir a necessidade de importação de medicamentos hemoderivados.
Ao todo, seis municípios cearenses serão beneficiados: Fortaleza, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Quixadá e Sobral. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacando que a iniciativa amplia a capacidade nacional de produção de medicamentos essenciais para pacientes com hemofilia, doenças imunológicas e necessidades cirúrgicas.
“Durante muito tempo o Brasil não produzia fatores derivados do plasma e dependia de importações. Esses novos equipamentos garantem mais segurança, qualidade e autonomia para salvar vidas”, afirmou o ministro.
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A expansão da Hemorrede atende diretamente à demanda da Hemobrás, maior fábrica de hemoderivados da América Latina. Com a modernização, a planta pode alcançar capacidade plena de processamento de até 500 mil litros de plasma por ano, impulsionando a produção de imunoglobulinas, albumina e fatores de coagulação.
Os novos blast-freezers, ultrafreezers e freezers permitem congelamento ultra-rápido a –30°C, garantindo preservação industrial da matéria-prima utilizada na fabricação de medicamentos. Entre 2022 e 2025, a oferta de plasma enviada à Hemobrás cresceu de 62,4 mil litros para 242,1 mil litros, um aumento de 288%.
Padilha ressaltou que a expansão é estratégica para reduzir vulnerabilidades enfrentadas pelo país durante crises internacionais, como a pandemia de covid-19, quando houve dificuldade global para aquisição de imunoglobulinas.
O anúncio da modernização ocorre na Semana Nacional do Doador de Sangue. Em 2024, o Brasil coletou mais de 3,3 milhões de bolsas, representando 1,6% da população. Apesar disso, apenas 13% do plasma coletado é utilizado em transfusões; os 87% restantes têm potencial para a produção de hemoderivados — desde que armazenados corretamente, reforçando a importância dos novos equipamentos.
A demanda global por imunoglobulinas cresce rapidamente, elevando preços e gerando instabilidade no mercado. Por isso, ampliar a produção nacional é vista como medida fundamental de soberania sanitária e segurança do paciente.
O ministro também destacou o avanço da Rede de Testes de Ácido Nucleico (Rede NAT), totalmente implementada desde 2011 e reconhecida como uma das mais seguras do mundo. O Brasil é o único país a utilizar 100% de exame NAT em hemocentros públicos, identificando vírus antes da formação de anticorpos e reduzindo a janela imunológica.
A tecnologia inclui o NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, primeiro teste registrado capaz de detectar malária em triagens de sangue, além de HIV, hepatite B e hepatite C. Todos os anos, cerca de 3,5 milhões de amostras são analisadas com essa metodologia avançada.
Padilha reforçou que a Fiocruz receberá um novo investimento de R$ 5 bilhões para construção de uma fábrica em Santa Cruz (RJ), com potencial para aumentar em 1% o PIB do estado.
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