

Campanha Março Amarelo chama atenção para a endometriose, doença que pode afetar a fertilidade e a qualidade de vida de milhões de mulheres | Foto: divulgação
11 de março de 2026 – O Março Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre a endometriose, reforça um alerta importante para a saúde feminina: até 50% das mulheres que enfrentam infertilidade podem ter a doença. Estimativas científicas apontam que entre 30% e 50% das pacientes com dificuldade para engravidar convivem com a condição, muitas vezes sem diagnóstico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o que representa mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde do Brasil indicam que milhões de mulheres convivem com a doença, considerada crônica, inflamatória e progressiva.
Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a endometriose pode atingir órgãos como ovários, trompas, bexiga e intestino. Esse processo provoca inflamação persistente, formação de aderências e alterações anatômicas que podem comprometer o funcionamento do sistema reprodutivo.
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De acordo com o ginecologista Evangelista Torquato, especialista em reprodução humana, os efeitos da doença sobre a fertilidade são diversos.
Segundo o médico, a endometriose pode comprometer a qualidade dos óvulos, afetar o funcionamento das trompas e alterar o ambiente uterino necessário para a implantação do embrião. Em estágios mais avançados, a formação de aderências pode dificultar o encontro entre óvulo e espermatozoide, reduzindo significativamente as chances de gestação espontânea.
Especialistas também alertam que o diagnóstico da doença costuma demorar. Muitas mulheres acabam normalizando sintomas como cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual e desconforto pélvico frequente. Estudos indicam que o tempo médio entre o surgimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico pode ultrapassar sete anos.
Outro fator que pode agravar o cenário é o adiamento da maternidade. Com muitas mulheres optando por engravidar após os 30 ou 35 anos, período em que a reserva ovariana começa a diminuir naturalmente, a presença da endometriose pode potencializar as dificuldades reprodutivas.
Segundo especialistas, identificar a doença precocemente aumenta as chances de preservar a fertilidade e planejar uma gestação com segurança. Atualmente, existem diferentes abordagens terapêuticas, que incluem tratamento clínico, cirurgia e técnicas de reprodução assistida.
Além dos impactos físicos, a doença também pode provocar consequências emocionais relevantes. A convivência com dor crônica e a dificuldade para engravidar frequentemente estão associadas a quadros de ansiedade, estresse e sofrimento psicológico, o que reforça a importância de acompanhamento multidisciplinar.
Nesse contexto, campanhas como o Março Amarelo buscam ampliar a informação sobre a doença e estimular mulheres a reconhecerem sinais precoces, procurarem avaliação médica e compreenderem as opções de tratamento disponíveis.
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