

Especialistas alertam para os riscos da perda dentária e reforçam a importância da reabilitação oral na manutenção da saúde e da qualidade de vida | Foto: divulgação
10 de abril de 2026 – Apesar dos avanços tecnológicos na odontologia, o Brasil ainda enfrenta um desafio significativo: a cultura da extração dentária como solução imediata para problemas que poderiam ser tratados de forma conservadora.
Dados de levantamentos nacionais mostram que milhões de brasileiros já perderam pelo menos um dente permanente. No Ceará, o cenário é ainda mais preocupante: 45,9% das pessoas com 60 anos ou mais perderam todos os dentes, enquanto cerca de 13% da população adulta é totalmente desdentada. Além disso, aproximadamente um em cada três adultos utiliza algum tipo de prótese dentária.
Segundo o cirurgião-dentista Dr. Ezemir Guimarães, esses números refletem uma prática histórica ainda presente na sociedade. “A extração ainda é vista por muitos pacientes como a solução mais simples. Mas, na maioria dos casos, a odontologia atual oferece alternativas que preservam estrutura, função e qualidade de vida. Precisamos abandonar a cultura de remover e fortalecer a cultura de reabilitar”, afirma.
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A perda de dentes vai além da estética e pode desencadear uma série de problemas funcionais. Após a extração, ocorre a reabsorção óssea, processo que reduz o volume do osso e dificulta futuras reabilitações, como implantes dentários.
“A boca funciona como um sistema integrado. Quando perdemos um dente sem planejamento, podemos desencadear um efeito cascata que compromete toda a estrutura bucal ao longo dos anos”, explica o especialista.
Além disso, a ausência de dentes pode causar movimentação dos dentes vizinhos, alterações na mordida, sobrecarga em outras regiões da arcada e dificuldades na mastigação.
Problemas bucais também podem afetar a saúde geral. Infecções crônicas, como a doença periodontal, podem permitir a entrada de bactérias na corrente sanguínea, aumentando riscos inflamatórios e sendo associadas a doenças cardiovasculares e dificuldades no controle do diabetes.
Outro ponto de atenção é a periimplantite, inflamação que pode ocorrer ao redor de implantes dentários mal acompanhados, levando à perda óssea e até do próprio implante.
Além dos aspectos físicos, a perda dentária também impacta o emocional. A condição pode gerar baixa autoestima, insegurança ao falar ou sorrir e até isolamento social, especialmente em pacientes que dependem de próteses por longos períodos.
Para o especialista, a mudança de mentalidade é essencial para melhorar os indicadores de saúde bucal no país. “A extração deve ser sempre a última alternativa, não a primeira. A reabilitação oral é um investimento em saúde, longevidade e dignidade. Quando planejamos e preservamos, protegemos não apenas o sorriso, mas a saúde como um todo”, conclui Dr. Ezemir Guimarães.
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