

O projeto foi conduzido por um grupo de estudos do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Química da UEPB | Foto: divulgação/UEPB
20 de outubro de 2025 – Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) desenvolveram um canudo biodegradável capaz de detectar a presença de metanol em bebidas destiladas, como cachaça, de forma rápida e acessível. O produto, que atua de maneira semelhante a um teste de gravidez, pode chegar ao mercado por cerca de R$ 2 e promete auxiliar bares, distribuidores e consumidores na identificação de bebidas adulteradas.
O projeto foi conduzido por um grupo de estudos do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Química da UEPB, que levou dois anos para desenvolver o dispositivo. A pesquisa ganhou destaque após casos recentes de intoxicação por metanol, que levaram empresas a procurarem a universidade para produzir o canudo em larga escala.
Segundo a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, professora Nadja Oliveira, o avanço da tecnologia depende de novos investimentos. “Para que os dispositivos de baixo custo cheguem a todo o país, precisamos de recursos para adquirir insumos”, afirmou.
O projeto já está em processo de depósito de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Enquanto isso, os protótipos passam por testes na Fundação Parque Tecnológico de Campina Grande, no campus da UEPB.
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O dispositivo utiliza um sistema de reagentes encapsulados, que mudam de cor ao entrar em contato com bebidas adulteradas. “O canudo atua como uma coluna cromatográfica. Quando a bebida sobe por capilaridade, interage com os reagentes internos e provoca uma alteração de coloração visível na parte externa do canudo”, explicou o professor Railson de Oliveira Ramos, um dos responsáveis pelo projeto.
Os pesquisadores destacam que o canudo é seguro e descartável, podendo ser usado por bares, restaurantes e distribuidores, mediante treinamento básico para detecção rápida de irregularidades.
A pesquisa teve início com o objetivo de verificar contaminações em cachaças paraibanas, contando com financiamento de R$ 725 mil da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq). O investimento permitiu a criação do Laboratório de Tecnologia da Cachaça em Campina Grande.
Atualmente, dez pesquisadores participam do projeto, entre eles Félix Brito, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UEPB. A equipe já testou o canudo em 462 amostras de cachaça e publicou dois artigos científicos na revista Food Chemistry, uma das mais respeitadas na área de química e bioquímica de alimentos.
Além do canudo, os cientistas desenvolveram uma tecnologia que usa radiação infravermelha para identificar metanol em garrafas ainda lacradas. O equipamento emite luz sobre o recipiente e, por meio de um software, identifica substâncias estranhas à composição original da bebida, como água ou metanol.
De acordo com o coordenador da pesquisa, professor David Douglas, o método apresentou 97% de precisão. “Também conseguimos rastrear a origem das cachaças da Paraíba, diferenciando as produzidas no brejo paraibano das fabricadas em outras regiões do país”, afirmou.
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Tags: UEPB, Universidade Estadual da Paraíba, pesquisa científica, inovação tecnológica, bebidas adulteradas, metanol, segurança alimentar, canudo biodegradável, tecnologia sustentável, Campina Grande, Paraíba, cachaça, bebidas destiladas, Ministério da Saúde, Fapesq, Food Chemistry, INPI, desenvolvimento científico, laboratórios universitários, combate à falsificação, Portal Terra da Luz