

Exame toxicológico passou a ser exigido para quem vai tirar a primeira CNH e detecta o uso de drogas nos últimos meses | Foto: reprodução
16 de janeiro de 2026 — A exigência do exame toxicológico para a emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B já está em vigor e tem gerado dúvidas entre os futuros motoristas. A medida, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, determina a apresentação de resultado negativo em um teste capaz de identificar o uso de drogas nos últimos meses.
O exame não avalia se o candidato estava sob efeito de substâncias no dia da prova prática ou teórica. O objetivo é detectar a presença de drogas psicoativas em um período retrospectivo mínimo de 90 dias, o que pode levar à reprovação mesmo em casos de uso ocasional.
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O exame toxicológico da CNH analisa classes de substâncias. Isso significa que, se qualquer composto pertencente a uma dessas classes for identificado dentro da janela de detecção, o resultado é considerado positivo.
Entre as anfetaminas, estão incluídos estimulantes como rebite, ecstasy (MDMA) e bolinha. Na classe dos canabinoides, entram maconha, haxixe e skunk. Já os opiáceos e opioides englobam substâncias como morfina, heroína, ópio bruto e oxicodona. A cocaína aparece de forma isolada, mas inclui derivados como crack e bazuca. Há ainda outras substâncias monitoradas, como o mazindol, medicamento utilizado para emagrecimento.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que, entre 2021 e 2025, a cocaína liderou as detecções em exames toxicológicos realizados no Brasil, respondendo por cerca de 87% dos registros positivos. Especialistas alertam, porém, que esse número elevado está relacionado à forma como a droga é metabolizada pelo organismo, gerando diversos metabólitos que permanecem no cabelo por longos períodos.
O exame de larga janela utiliza amostras de cabelo, pelos ou unhas. Essas estruturas funcionam como verdadeiros “arquivos biológicos”, capazes de armazenar vestígios de substâncias químicas por até 180 dias, com janela mínima de detecção de 90 dias.
O processo envolve agendamento em laboratório credenciado, coleta da amostra biológica, análise laboratorial e emissão de um laudo com cadeia de custódia rastreável. Normas técnicas rigorosas garantem a confiabilidade do exame e evitam contaminações ou tentativas de adulteração.
Segundo especialistas da área, métodos como cromatografia e espectrometria de massa permitem identificar quantidades muito pequenas de substâncias, o que explica por que até o uso recreativo ou ocasional pode ser detectado.
Sim. O consumo de maconha, mesmo em uma única ocasião, pode resultar em exame positivo se ocorreu dentro da janela de detecção. O mesmo vale para a cocaína, cujos metabólitos permanecem incorporados à queratina do cabelo e dos pelos por meses.
O exame toxicológico não mede quantidade nem frequência de uso. Ele apenas confirma a presença da substância ou de seus derivados no organismo ao longo do período analisado.
O álcool não é pesquisado no exame toxicológico exigido para a CNH. Já entre os medicamentos, o principal que pode levar à reprovação é o mazindol, um estimulante do sistema nervoso central estruturalmente relacionado às anfetaminas.
Mesmo com prescrição médica, a detecção do mazindol tende a resultar em exame positivo, já que a substância integra a lista monitorada pelos órgãos de trânsito. O condutor que reprovar no exame não poderá obter ou renovar a CNH até apresentar um novo resultado negativo.
Especialistas alertam que práticas como raspar o cabelo, ingerir grandes quantidades de água ou chás, ou tentar substituir a amostra por urina ou sangue não impedem a detecção. Na ausência de cabelo, o laboratório pode utilizar pelos ou unhas, e a janela de detecção não é reduzida por hidratação ou mudanças na dieta.
A obrigatoriedade do exame toxicológico foi estabelecida pelo Projeto de Lei nº 15.153/2025. Antes da mudança, a exigência valia apenas para motoristas das categorias C, D e E, que conduzem veículos de carga e transporte coletivo.
Com a ampliação, a estimativa é de que entre 1,3 milhão e 2 milhões de novos exames sejam realizados em 2026. Para especialistas, a medida fortalece a segurança viária e contribui para a redução de acidentes.
O exame deve ser realizado em laboratórios credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A legislação também permite a coleta em clínicas médicas responsáveis pelos exames de aptidão física e mental.
A validade do exame é de 90 dias a partir da coleta. O custo varia, em média, entre R$ 110 e R$ 250, e o resultado costuma ser liberado em até 10 dias úteis.
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