

Ilustração de etapa da possível fusão entre a Via Láctea e a vizinha Galáxia Andrómeda | Foto: NASA/ESA/Z. Levay y R. van der Marel/STScI/T. Hallas y A. Mellinger/Divulgação via REUTERS
01 de dezembro de 2025 — Pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia e do Laboratório da Nasa identificaram que a maior parte das transmissões enviadas da Terra ao espaço profundo segue caminhos concentrados e previsíveis. A descoberta, baseada em duas décadas de dados da Rede de Espaço Profundo da agência espacial americana, pode representar um marco nas estratégias de busca por vida inteligente fora do planeta. O estudo foi divulgado pela BBC News.
Os cientistas analisaram mais de 92 anos acumulados de operação das antenas da Nasa entre 2005 e 2025. A investigação revelou que cerca de 79% das transmissões humanas se concentram em uma faixa estreita ao redor do plano orbital da Terra, formando o que os pesquisadores chamam de “corredor radioelétrico”. Esse padrão aumenta significativamente a probabilidade de que eventuais civilizações extraterrestres interceptem sinais tecnológicos provenientes do nosso planeta.
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A pesquisa adotou uma lógica oposta à habitual. Em vez de tentar imaginar como alienígenas se comunicariam, os cientistas mapearam como a própria Terra emite tecnologia para o espaço. Com isso, identificaram padrões que podem servir de referência para orientar futuras buscas por inteligência extraterrestre.
O corredor formado por nossas transmissões reflete o foco das missões interplanetárias ao longo das últimas décadas, concentradas em corpos celestes que orbitam no mesmo plano da Terra.
O estudo também destacou que Marte é o alvo mais frequente das transmissões da Rede de Espaço Profundo. Durante as conjunções entre Terra e Marte — quando os planetas se alinham — o volume de sinais enviados aumenta drasticamente.
Segundo os cálculos dos pesquisadores, uma civilização posicionada na direção de Marte teria até 77% de chance anual de captar emissões terrestres nesses períodos. Isso multiplica por centenas de milhares a probabilidade de detecção quando comparado à observação aleatória em outras direções do espaço.
Aplicando o mesmo raciocínio ao sentido inverso, os cientistas afirmam que a busca por civilizações avançadas deve priorizar exoplanetas alinhados com o plano orbital do Sistema Solar ou que transitem diante de suas estrelas. Com a tecnologia atual, uma transmissão típica poderia ser percebida a até 23 anos-luz de distância, região que abriga pelo menos 128 sistemas estelares conhecidos.
Se outras civilizações utilizarem estruturas semelhantes às da Nasa, seus sinais também seguirão rotas previsíveis — o que abre espaço para um método de busca mais preciso.
Os pesquisadores ressaltam que a chegada do telescópio espacial Nancy Grace Roman deverá ampliar de forma exponencial o número de exoplanetas identificados — estimados em cerca de 100 mil nos próximos anos. Essa expansão possibilitará mapear novos alvos compatíveis com o corredor radioelétrico detectado.
Embora lasers possam ser utilizados por civilizações avançadas, os cientistas avaliam que sinais de rádio ainda são os mais detectáveis com a tecnologia atual. A conclusão do estudo é que a humanidade já produz um rastro radioelétrico claro, crescente e, agora, mapeado — capaz de servir como guia para uma busca mais eficiente por vida inteligente fora da Terra.
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