

Governo quer coerência com princípios humanitários | Foto: Roque de Sá
13 de junho de 2025 – O governo brasileiro avalia adotar medidas para romper relações militares com Israel como resposta às ações promovidas por Tel Aviv na Faixa de Gaza, classificadas pelo Executivo como genocídio contra o povo palestino. A informação foi confirmada pela Assessoria Especial da Presidência da República.
Segundo o assessor-chefe especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, a posição brasileira precisa estar alinhada aos princípios humanitários e ao direito internacional, tradicionalmente defendidos pelo país.
“Pessoalmente, acredito que a escalada dos massacres em Gaza, que constituem verdadeiro genocídio com milhares de civis mortos, incluindo crianças, é algo que não pode ser minimizado. O Brasil precisa, inclusive, por meio das medidas apropriadas, ser coerente com os princípios humanitários e de direito internacional que sempre defendeu”, declarou Amorim à Agência Brasil.
A declaração foi dada após uma reunião com um grupo de 20 parlamentares e lideranças sociais, que cobraram o rompimento das relações diplomáticas e comerciais com o Estado de Israel. No início deste ano, o governo já havia cancelado uma compra de blindados israelenses prevista pelo Ministério da Defesa, em protesto contra as ações militares em Gaza.
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Apesar da pressão política e social, o governo considera que romper relações diplomáticas seria uma medida complexa, com risco de prejudicar brasileiros que vivem em Israel e comprometer canais de diálogo com os palestinos.
Como alternativa, o Planalto estuda romper especificamente os laços militares, suspendendo contratos de cooperação técnica e comercial nessa área. A ação seria uma forma de pressionar Israel frente à intensificação do cerco à Faixa de Gaza e à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pela comunidade internacional.
A deputada Natália Bonavides (PT-RN), que articulou a reunião com Amorim, afirmou que medidas podem ser anunciadas “nos próximos dias”. Em suas redes sociais, ela destacou o papel histórico do Brasil na defesa dos direitos humanos e o apelo por ações concretas contra o “extermínio televisionado” do povo palestino.
“Se a gente naturaliza a barbárie, a maldade no mundo não tem limites”, declarou a parlamentar.
A pressão também vem de movimentos sindicais. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) publicaram uma carta aberta pedindo que a Petrobras pare de vender petróleo a Israel, como forma de boicote econômico.
“É urgente um embargo global total de energia e armas para frear o genocídio, além de desmantelar o apartheid e a ocupação ilegal”, disseram as entidades em nota.
O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), liderado por ativistas palestinos, ganha força no Brasil com apoio de sindicatos, parlamentares e organizações da sociedade civil. O BDS defende sanções internacionais contra Israel devido à ocupação da Cisjordânia e o cerco imposto à Faixa de Gaza desde 2007.
Israel, por sua vez, afirma que o BDS representa uma ameaça à sua existência e busca deslegitimar o país perante a comunidade internacional, além de prejudicar sua economia.
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